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Matt Silva de CIS Group: Metadados inteligentes e custo por minuto

Matt Silsa, CEO de CIS Group, uma das maiores integradoras brasileiras, afirma que a IA virou prioridade no comando das mídias em 2025 e que nesse contexto, tecnologias como RAG e observabilidade em tempo real deixam os bastidores e passam a ditar decisões de negócio em arquivos, produção e distribuição audiovisual.

Segundo Matt Silva, em 2025, dois assuntos dominaram as reuniões de alto escalão nas grandes empresas de mídia: monetização de acervos antigos e controle milimétrico de custos por conteúdo entregue. “Como extraímos mais receita do arquivo que acumulamos ao longo de décadas? E qual é o nosso custo real por minuto finalizado, por canal, por plataforma — e como o reduzimos sem perder qualidade?”, resume Matt Silva. A resposta, segundo ele, está na fusão entre metadados gerados por inteligência artificial e um novo padrão de transparência radical sobre os custos de operação.

O executivo afirma que a virada começou com o avanço do RAG (retrieval-augmented generation), tecnologia que combina busca vetorial e modelos generativos para responder a comandos complexos com precisão. “Em março, a EBU mostrou ao vivo uma busca por ‘baterista canhoto em palco chuvoso’, que retornou clipes utilizáveis em segundos, sem log humano ou treinamento extra”, diz Silva. Desde então, a geração automática de tags, resumos e respostas passou de experimento técnico a item obrigatório nos orçamentos de capital.

A monetização veio rápido: uma emissora pública europeia adicionou €1,2 milhão em receita em apenas seis meses, ao tornar meio milhão de clipes legados pesquisáveis. Recursos como avisos de “licenciável?” integrados a ferramentas como Avid ou Adobe aceleraram decisões jurídicas em 40%. E sistemas de detecção de PII ou imagens sensíveis ajudam a evitar incidentes de compliance antes que o conteúdo chegue à fila de publicação.

Mas não basta extrair valor — é preciso saber quanto ele custa. “A pressão de margem é implacável, e o custo se tornou o principal critério na escolha de ferramentas de monitoramento”, afirma Silva. Com padrões como OpenTelemetry e o novo FOCUS 1.2, que transforma faturas de nuvem em métricas financeiras, empresas agora conseguem calcular o custo exato por minuto entregue, por título ou plataforma. “Isso dá poder real ao CFO: quando chega um contrato de direitos esportivos, ele vê, com precisão, quanto a temporada passada custou em CDN, transcodificação e armazenamento.”

A convergência entre metadados inteligentes e custos rastreáveis cria um ciclo virtuoso. “Se buscas por solos de bateria disparam, isso antecipa tendências antes dos dados de audiência. Se créditos finais custam $0,12 por minuto e não geram receita, a IA pode ignorá-los”, explica o CEO. E o efeito se estende à governança: jurídico, finanças e engenharia passam a trabalhar com os mesmos dashboards, em vez de disputarem versões diferentes da realidade.

Para Silva, os erros comuns são claros: prompts soltos em laptops, dashboards que só engenheiros entendem e KPIs que não cruzam departamentos. A solução? Tratar tudo como software: versionar os comandos de IA, rotular cada métrica com dados de negócio e definir metas compartilhadas entre busca, arquivo, playout e financeiro.

“O mundo não fala mais em ‘cloud-first’. Isso virou default”, conclui Silva. “O que define quem lidera é a qualidade dos dados e a capacidade de ver cada dólar por frame. Quem unir metadados ricos e observabilidade financeira sob uma única estratégia vai operar em um patamar que os concorrentes não conseguem alcançar sem se reinventar por completo.”

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