
A tradicional produtora audiovisual brasileira, Casablanca está liderando uma transformação profunda na produção ao adotar, de forma pioneira na América Latina, um núcleo completo de produção virtual em seus estúdios de São Paulo e Rio de Janeiro. Sob a liderança de Luis Alberto Santos, CTO da empresa, a produtora vem substituindo processos tradicionais, altamente dependentes de logística externa, por uma infraestrutura digital baseada em tecnologias da stYpe, sistemas XR, LED walls curvos e o poder de renderização do Unreal Engine.
Segundo Santos, essa mudança representa uma revolução comparável à transição “da máquina de escrever para o software em nuvem”. Ao integrar o sistema de tracking RedSpy, da stYpe, com os servidores Stypeland XR, Casablanca passou a capturar todos os dados técnicos de câmera — como ângulo, foco, diafragma e movimento — em tempo real, o que eliminou etapas manuais de pós-produção e trouxe mais precisão e agilidade.
“Durante muito tempo fomos dependentes de processos manuais e uma pós-produção complexa. Hoje tudo isso se integra: tracking, pré-visualização, render ao vivo, exportação”, afirma e reforça que “descobrimos que o RedSpy era a solução ideal para reduzir nossos tempos de edição e melhorar o controle de cada variável no set”.
A adoção da produção virtual foi motivada por desafios concretos enfrentados no modelo tradicional: dias de gravação perdidos por causa do clima, custos altos com deslocamento de cenários e limitações físicas que impediam a construção de mundos históricos ou fantásticos. “Se uma cena precisava ser gravada ao ar livre e chovia, perdíamos o dia inteiro. O impacto na cadeia de produção era enorme”, lembra Santos.
Hoje, o fluxo de produção da Casablanca foi totalmente redesenhado em quatro etapas principais: pré-produção com design de ambientes 3D em Unreal Engine, gravação com tracking ao vivo, renderização no set com LED wall ou chroma key, e exportação automatizada de metadados e camadas (layers) para pós-produção e VFX. A eficiência operacional é tamanha que, segundo Santos, “quando corto uma tomada, já tenho todos os dados e movimentos de câmera registrados em disco. É incrível”.
Essa automação também viabilizou o uso de metadados sincronizados em 6K e 8K, uma exigência crescente no mercado premium de conteúdo. “O cliente já recebe a imagem final e todos os metadados sincronizados. Isso muda completamente o tempo e a qualidade da entrega”.
Entre os primeiros projetos realizados com a nova estrutura, estão uma novela de época com recriação virtual da cidade colonial de Paraty e uma série de ficção científica gravada inteiramente em cenários digitais, com luzes dinâmicas e câmeras flutuantes. Ambientes que antes exigiam viagens, autorizações e construções dispendiosas agora são renderizados em tempo real, com interação direta entre diretores, fotógrafos e os ambientes virtuais.
Além da precisão técnica, Santos acredita que a grande conquista está na narrativa: “O objetivo é gerar dúvida no espectador. Quando ele não sabe mais o que é real ou digital, alcançamos um novo patamar de qualidade e imersão”.
Para o futuro, a Casablanca já pesquisa soluções de XR imersiva e inteligência artificial aplicada à produção virtual. E, como reforça Luis Santos, com uma filosofia clara: “Não se trata de fazer mais barato, mas de fazer melhor, mais rápido e com controle absoluto de cada etapa da criação”.

