
A chegada da TV 3.0 — também conhecida como DTV+ — representa um salto tecnológico inédito na história da televisão aberta brasileira e o SET EXPO 2025 será um marco nesse processo. Para Josemar Cruz, membro da ATSC, cofundador da ATLANTIS Tecnologia e da DAE XTREAM SOLUTIONS, o desafio mais urgente dessa transição não é apenas técnico, mas estratégico: como gerar novas receitas em um ambiente onde broadcast e broadband se fundem? “A monetização será o ponto de virada da TV 3.0. Não basta termos melhor imagem, som imersivo e interatividade. Precisamos transformar essas capacidades em valor real para o mercado”, afirma Cruz.
Segundo ele, com a integração plena entre a transmissão tradicional e a internet, a TV 3.0 propõe uma reconfiguração do ecossistema de mídia: personalização, interatividade, coleta de dados em tempo real e publicidade segmentada tornam-se ativos centrais. E é aí que surgem tanto as oportunidades quanto os gargalos.
“Estamos diante de uma chance única de construir uma nova cadeia de valor, onde emissoras, anunciantes e plataformas digitais trabalham juntas, mas isso exige inovação em modelos de negócio e uma mentalidade voltada à convergência”, explica.
Cruz destaca que a TV aberta, tradicionalmente gratuita e de massa, agora tem a oportunidade de entregar audiência qualificada com métricas digitais, algo antes exclusivo das plataformas OTT, e afirma que a TV 3.0 pode oferecer ao anunciante alcance e precisão ao mesmo tempo, combinando a força do broadcast com a inteligência do broadband.
“Nunca estivemos tão próximos de unir o melhor dos dois mundos: a escala da TV linear com a segmentação do ambiente digital. Mas para isso, é preciso repensar a forma como monetizamos conteúdo, audiência e dados”, diz.
Na visão do executivo, a sustentabilidade da nova televisão dependerá da agilidade com que os players do setor irão se adaptar a essa realidade. “A tecnologia está pronta. Agora, o maior desafio é estratégico e comercial. Quem souber transformar inovação em receita será protagonista nessa nova era.”
A TV 3.0 não é apenas uma evolução da TV Digital atual, mas uma reinvenção completa do modelo de entrega, consumo e geração de valor. E, segundo Josemar Cruz, monetizar não é só uma necessidade — é a chave para a sobrevivência e o crescimento do setor. “A TV de terceira geração é mais do que um upgrade técnico. É a fundação de uma nova lógica de mercado. E ela já começou”, finaliza.

