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Brasil consolida liderança na convergência audiovisual da América Latina

O Brasil mantém sua posição de liderança na convergência da indústria audiovisual na América Latina, com um ecossistema sólido, diverso e em constante evolução. A força do mercado brasileiro se reflete em uma TV aberta ainda protagonista, em um universo OTT em expansão, em redes de conectividade cada vez mais amplas e em uma capacidade de produção audiovisual única no mundo — capaz de atender tanto à demanda interna quanto às exportações. Soma-se a isso uma malha digital impulsionada por mais de 20 mil ISPs, o avanço do 5G, a chegada da TV 3.0 — conduzida pelos principais players — e uma aposta permanente na inovação.

Produção audiovisual de ponta e streaming

O ecossistema audiovisual brasileiro segue em ritmo de crescimento. Segundo dados recentes da Ancine, em 2024 foram registrados 39.441 obras, com São Paulo liderando como principal pólo de produção (30%), seguido pelo Rio de Janeiro (15%) e Ceará (7%). Mais de 60% dos conteúdos foram realizados por produtoras independentes, evidenciando uma indústria descentralizada, marcada pela presença de novos talentos. Outros estados como Paraná (12%), Santa Catarina (10%) e Rio Grande do Sul (7%) também ganham destaque na produção nacional.

Carlos Manuel Baigorri, presidente da ANATEL
Alex Braga Muniz, diretor-presidente da ANCINE

O Brasil conta atualmente com 60 plataformas OTT ativas, segundo o Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), incluindo modelos por assinatura (42), gratuitos (31) e transacionais (13), com um catálogo estimado de 91 mil títulos. As produções brasileiras representam 26% dos filmes e 18% das séries disponíveis, com forte presença de obras independentes (72%), e documentários (44%). Embora a circulação ainda seja limitada — e que dois terços dos 4.712 títulos nacionais estão presentes em apenas uma ou duas plataformas —, há sinais consistentes de crescimento.

Plataformas como Globoplay, Vivo Play e Claro TV+ concentram o maior volume de conteúdo local, sendo que o Globoplay é o único entre os cinco serviços mais populares a ultrapassar 25% de conteúdo brasileiro. Nesse cenário, a Netflix anunciou em 2024 dez novas produções originais no país, incluindo séries, filmes, realities e documentários, com filmagens previstas até o fim do ano.

Em relação às preferências do público, o Prime Video lidera o ranking das plataformas de streaming com 22% de participação, seguido por Netflix (21%), Disney+ (16%), Max (12%), Globoplay (10%), Apple TV+ (7%), Paramount+ (5%), Mubi (3%) e outros serviços (4%), segundo o JustWatch. Embora os dados reflitam o comportamento de mais de 4 milhões de usuários da plataforma — e não dados oficiais de consumo —, eles ajudam a mapear tendências claras em um dos mercados mais dinâmicos da região. Os números mostram que o Prime Video supera a Netflix, o que pode fazer sentido considerando que atualmente transmite conteúdos exclusivos ao vivo, como partidas do Brasileirão e da Copa do Brasil.

Paulo Marinho, Presidente da Globo
Louise Faleiros, Country Manager da Prime Video Brasil
TV aberta e chegada da TV 3.0 até a Copa de 2026

Um dos avanços tecnológicos mais importantes do setor é a chegada da DTV+ (TV 3.0 baseada no ATSC 3.0). Em maio, a TV Globo ativou sua primeira estação no Rio de Janeiro, iniciando as transmissões experimentais. Essa nova geração da TV aberta permitirá transmissões em 4K e 8K, áudio imersivo, personalização e interatividade, com recursos como câmeras múltiplas, enquetes e compras na tela. O lançamento comercial está previsto para 2026, nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, com cobertura nacional estimada até 2035.

TV por assinatura em queda

A TV por assinatura segue em retração, dos 9,54 milhões em maio de 2024, passamos ter uma base de 6,86 milhões de assinantes em maio de 2025, segundo dados oficiais da Anatel. A Claro lidera o mercado com 56,4% de participação, seguida pela SKY (29,7%) e pela Vivo (9,6%). Em relação às tecnologias utilizadas, o satélite representa 46,1% dos acessos, o cabo 40,7% e a fibra óptica 13,1%. Mesmo em retração, o serviço segue presente em muitos lares brasileiros

José Félix, presidente da Claro Brasil
Gustavo Fonseca da Sky Brasil
5G, fibra e ISPs como motor do ecossistema digital

O país alcançou 52,7 milhões de acessos à banda larga fixa, com densidade de 24,8 acessos por 100 habitantes. A fibra óptica representa 77,8% das conexões, seguida pelo cabo coaxial (15,9%). O 5G já cobre 62,98% da população, apoiado em uma infraestrutura robusta que inclui mais de 20 mil provedores regionais (ISPs), que atuam como aliados estratégicos das operadoras e plataformas de conteúdo.

De acordo com a Anatel, em maio de 2025 o país contabiliza 348,3 milhões de contratos ativos de telecomunicações, incluindo telefonia móvel, fixa, TV paga e banda larga. A agência vem promovendo políticas como o “Origem Verificada” para ligações, o combate às TV Boxes ilegais e o uso do Índice ISEG de Cibersegurança, atualmente em 0,71.

Pirataria, um desafio em escala nacional

A pirataria digital segue como um dos grandes desafios do setor. De acordo com a ABTA, as TV Boxes ilegais estão presentes em seis milhões de lares brasileiros, gerando perdas de cerca de US$ 2 bilhões por ano. Quatro em cada dez internautas no país consomem conteúdo pirata, gerando impacto econômico superior a R$ 12 bilhões por ano e evasão fiscal de aproximadamente R$ 6,9 bilhões.

Oscar Simões de Oliveira da ABTA
Frederico de Siqueira Filho, Ministro das Comunicações

Como resposta, Ancine, ABTA e Anatel implementaram um sistema automatizado para o bloqueio de serviços ilegais, com a suspensão inicial de 130 domínios e 208 IPs. O comprometimento de atores públicos e privados com o combate ao crime digital vem crescendo. Recentemente, a justiça brasileira, em conjunto com a organização Aliança, condenou uma rede que oferecia streaming ilegal a mais de cinco mil clientes, com faturamento superior a R$ 4,4 milhões.

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