A 8ª edição do evento, que este ano mudou de nome, apresentou painéis e entrevistas alinhados às transformações da indústria, que vive um momento de convergência. Além da TV por assinatura, o mercado discute o crescimento das plataformas OTT e as inovações na TV aberta, como a DTV+ e a TVRO. Outro destaque foi o debate sobre a possibilidade de desregulamentação da TV paga no país.

Ao longo do dia, executivos analisaram o futuro da distribuição de conteúdos multiplataforma, os desafios tecnológicos e institucionais e o cenário de um mercado que começa a vislumbrar crescimento e adaptação aos novos hábitos de consumo audiovisual. A pirataria audiovisual também esteve em pauta, considerada por muitos como o maior concorrente das empresas de distribuição de conteúdo no Brasil.
Homenagem à Globo
O dia começou com uma homenagem especial aos 100 anos do Grupo Globo e aos 60 anos da TV Globo. A sessão contou com Tatiana Costa, diretora dos canais do grupo; Leonora Bardini, diretora da TV Globo; e Julia Rueff, diretora executiva do Globoplay, com mediação da jornalista da Globonews, Julia Duailibi.

Leonora Bardini destacou que a TV aberta continua relevante: “É um caso de amor, porque falamos com muita gente ao mesmo tempo. Essa simultaneidade gera fenômenos de massa, com 123 emissoras em todo o Brasil. Oferecemos uma conexão real e geramos pertencimento”. Sobre a DTV+ (TV 3.0), afirmou que a integração de broadcast e broadband amplia as opções de distribuição e representa um passo importante de renovação tecnológica.
Julia Rueff ressaltou que o modelo B2B2C é hoje estratégico para o Globoplay, por meio de parcerias que ampliam o acesso e agregam valor aos pacotes oferecidos. Já Tatiana Costa enfatizou que as estratégias de curadoria de conteúdo da Globo estão alinhadas aos objetivos de cada produto — TV aberta, Globoplay e canais pagos —, que atuam de forma integrada. Para ela, o intercâmbio de conteúdos entre plataformas amplia o alcance, potencializa as janelas de exibição e otimiza investimentos em produção.
A visão da SKY
Gustavo Fonseca, presidente da SKY, apontou quatro pilares fundamentais para o mercado: conteúdo, experiência, acesso e preço. “O Brasil é grande e diverso, e estamos trabalhando nisso”, afirmou. Ele explicou que a empresa realiza uma migração controlada do modelo SeAC para o streaming com o SKY+, mantendo cerca de metade dos clientes em cada sistema. Fonseca reforçou que o principal concorrente da TV por assinatura no Brasil é a pirataria, “muito sedutora por ser barata demais”.

Pirataria e regulação
Em entrevista a Samuel Possebon, da Teletime, o conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, destacou que o combate à pirataria envolve ações conjuntas com a Receita Federal, Ancine e Polícia Federal. Ele também adiantou que o novo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), em fase final de discussão, pode incluir o debate sobre a desregulamentação da TV por assinatura tradicional.
O painel “O ecossistema digital e o combate à pirataria”, moderado por Jonas Antunes (ABTA), reuniu Gisleia Fonseca Teles (Anatel), Leandro Souza Mendes e Carlos Chelfo (Ancine), Felipe Ferreira (Delegacia de Crimes Cibernéticos) e Maurício Almeida (Watch). O grupo apresentou avanços no combate à pirataria, como bloqueio de aplicações ilegais e identificação de TV Boxes infectadas pela rede BadBox 2.0, que representam risco de invasão a dispositivos domésticos. Segundo Gisleia, o Brasil concentra mais de 37% desses equipamentos no mundo, com um crescimento de 400 mil para 1,8 milhão de dispositivos infectados desde fevereiro.
Modelos de empacotamento e distribuição
O primeiro painel da tarde discutiu “O futuro dos modelos de empacotamento e distribuição”, com Ricardo Falcão (Claro TV+), Ranira Camelo (Globo), Alejandro Contreras (Alares), Viviane Moura (Vivo) e José Carlos Rocha (Vero).

Viviane Moura apresentou o case Vivo Total, que já alcança 3 milhões de clientes e integra TV e banda larga fibra, chegando a 4 milhões de assinantes somando serviços de streaming de vídeo e música. Ricardo Falcão afirmou que o Claro TV+ ganhou escala e voltou a crescer, graças à combinação de conteúdo linear e streaming a preços acessíveis, e à migração gradual da base para o digital.
DTV+ e o futuro da TV aberta
O encerramento do dia foi com a palestra “A evolução da TV: do streaming à DTV+”, com Carlos Octavio (Globo), Aline Jabbour (Samsung TV Plus), Cláudio Borgo (Claro TV+), Luis Camargo (Google), Roberto Guenzburger (Mileto) e Yvan Cabral (Vivensis).

Carlos Octavio disse que a DTV+ muda a lógica de produção: “Passaremos de um departamento de conteúdo para um departamento de experiência”. Cláudio Borgo afirmou que a Claro já está tecnicamente pronta para acelerar recursos como 4K e interatividade. Yvan Cabral anunciou que a Vivensis pretende lançar seus receptores no mercado em 2026. Já Roberto Guenzburger destacou a integração de broadcast e broadband como caminho para evoluir serviços via satélite com mais interatividade.


