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+TV Forum aponta retomada do crescimento no mercado audiovisual brasileiro

O segundo dia da 8ª edição do +TV Forum mostrou um cenário otimista para o setor audiovisual no Brasil. Após anos de retração e queda de receitas, empresas e especialistas destacaram sinais concretos de recuperação, impulsionados por novos modelos de negócios, parcerias estratégicas e a integração cada vez maior entre TV linear, streaming e plataformas digitais. O evento reuniu executivos de peso para discutir os rumos do mercado e as oportunidades que surgem neste novo ciclo de crescimento.

Claro aposta em crescimento sustentado com foco em conteúdo e convergência

Rodrigo Marques, CEO da Claro (Foto: Marcos Mesquita)

A manhã começou com uma entrevista ao CEO da Claro, Rodrigo Marques, que apresentou os três pilares estratégicos da operadora: qualidade, crescimento acelerado e rentabilidade sustentada. Segundo ele, o desenvolvimento e a qualificação de pessoas estão no centro da estratégia, assim como a entrega de conteúdo de forma inovadora.

“O produto de TV é o coração da atividade da empresa. Não olhamos mais para TV e banda larga como produtos separados. Queremos transformar a entrega de conteúdo, gerando valor para o consumidor”, afirmou.

O executivo destacou que, após anos de queda de receita, a companhia já observa sinais de crescimento e projeta que o próximo ano será de expansão, impulsionada por ofertas como o superbundle com preço fixo. A meta é facilitar a usabilidade e concentrar todos os conteúdos em um único ambiente, incluindo streamings integrados no pacote.

A Claro também investe em um “novo triple play”, combinando Conteúdo, Conectividade e Serviços Digitais para aumentar a base de clientes e diferenciar sua oferta no mercado.

Parcerias inovadoras unem bancos, operadoras e plataformas de streaming

O segundo painel trouxe Alessandra Pontes, VP de Distribuição e Parcerias da Warner Bros. Discovery, e Felipe de la Rosa, Marketing Senior Manager do Nubank, para falar sobre novas alianças no setor.

Alessandra Pontes, VP de distribuição e parcerias da Warner Bros. Discovery. (Foto: Marcos Mesquita)

Pontes destacou que, embora os operadores tradicionais continuem sendo o núcleo do negócio, há espaço para crescimento no streaming, que hoje alcança cerca de 40% do mercado. Já de la Rosa explicou a parceria Nu Max com a HBO Max, inserida no pacote de benefícios do banco, ressaltando a importância do fandom como motor de engajamento cultural.

Ambos concordaram que parcerias fora do padrão tradicional abrem novas frentes de negócios, mas reconhecem desafios como a concorrência com redes sociais, a pirataria e a limitação do poder de compra.

CazéTV amplia presença e anuncia transmissão gratuita da Copa de 2026

Cindy Andrade, Adriano Adoryan e Edgar Cotta Correa da RNP Brasil

Em entrevista, Teresa Penna, head de distribuição da CazéTV, relembrou a trajetória do canal, que começou no YouTube e hoje está presente em plataformas como Prime Video, Samsung TV+ e Disney+.

Como grande novidade, anunciou que a Copa do Mundo 2026 será transmitida 100% de forma gratuita na CazéTV, com todos os jogos e um feed linear 24/7. Segundo Teresa, o modelo de distribuição combina YouTube com licenciamento para outras plataformas, enquanto a parte de infraestrutura de CDN fica a cargo dos parceiros.

Novos modelos de negócios e publicidade no ecossistema TV

O painel da Abotts, mediado por sua presidente Yassue Inoki, reuniu Claudio Paim (Globo), Vicente Varela (SBT), Álvaro Paes de Barros (OffGrid) e André Gramorelli (Warner Bros. Discovery) para discutir os desafios e oportunidades no ambiente multiplataforma.

Fernando Lutemberg (TelaViva), Yvan Cabral (Vivensis), Marcelo Amodeo (SES), Reinaldo Peleari (Vivensis), Marcio Cauduro (Elsys)

Paim destacou que a indústria vive uma “etapa de valor”, na qual TV linear e digital coexistem com múltiplas camadas de conteúdo. Varela reforçou a importância de métricas mais sólidas para mensuração no digital. Paes de Barros apontou o FAST como uma janela de monetização na economia da atenção, e Gramorelli alertou para a falta de metodologia clara para dividir o “bolo” publicitário, apesar do crescimento de quase 10% no setor.

Ancine aposta em modernização e integração de TV paga e streaming

Alex Braga, diretor-presidente da Ancine, apresentou indicadores do mercado de TV paga e reforçou que o futuro passa pela coexistência com o streaming. A agência, segundo ele, adotou inteligência artificial para automatizar processos, avançando “29 anos em um único ciclo” de análise. O projeto Malha Fina gerou economia superior a R$ 900 milhões em custos operacionais.

Alex Braga presidente da Ancine e Marco Alterg da Indiana Produções

Conteúdo nacional como diferencial competitivo

No painel “Conteúdo nacional no centro das estratégias”, moderado por Thais Colli (CQS/FV Advogados), executivos como Monica Pimentel (Warner Bros. Discovery), Rosângela Lara (BandNews), Vanessa A. Souza (Curta!), Fernando Magalhães (Claro) e Patrícia Koslinski (Globo) discutiram o papel central da produção brasileira.

Thais Colli (CQS/FV Advogados), Monica Pimentel (Warner Bros. Discovery), Rosângela Lara (BandNews), Vanessa A. Souza (Curta!), Fernando Magalhães (Claro) e Patrícia Koslinski (Globo)

Pimentel ressaltou que o consumo local é essencial tanto para canais lineares quanto para streaming, citando o aumento de 500% na audiência da cerimônia do Oscar pela presença do filme Ainda Estou Aqui. Magalhães lembrou que a Claro não produz conteúdo por restrição legal, mas co-produz filmes e oferece uma interface que destaca produções nacionais.

Novas narrativas e formatos disputam atenção do público

Encerrando o dia, o painel “Novas narrativas e formatos: os drivers de conteúdo” reuniu Henrique Rodrigues (Fabric), Mônica Monteiro (Times Brasil – CNBC), Virgílio Abranches (CNN Brasil), Julio Sobral (Blue Ant Media) e Simoni Sobelman (Sky).

Henrique Rodrigues (Fabric), Mônica Monteiro (Times Brasil – CNBC), Virgílio Abranches (CNN Brasil), Julio Sobral (Blue Ant Media) e Simoni Sobelman (Sky)

Sobelman destacou que, diante da concorrência crescente de canais FAST e conteúdos internacionais, é fundamental definir modelos claros de monetização para sustentar custos de distribuição. “Na Sky, toda semana chegam propostas de conteúdo, mas precisamos entender quem paga a conta para manter o negócio viável”, afirmou.

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