
Com a abertura oficial da feira comercial nesta terça-feira, 19 de agosto, teve início uma nova edição da SET EXPO 2025, no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, em São Paulo. A cerimônia contou com a presença de autoridades nacionais e internacionais, reafirmando a importância do evento como o principal ponto de encontro da indústria broadcast e audiovisual da América Latina.
O presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Paulo Henrique Castro, foi responsável por inaugurar o encontro, acompanhado por representantes da Anatel, do Ministério das Comunicações, além de deputados e senadores. Entre os anúncios de destaque, foi ressaltada a assinatura iminente do decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que dará início à implementação da DTV+, considerada um passo estratégico para o futuro digital do país.

Visão dos CEOs: TV 3.0 e o futuro da televisão
Após a abertura, ocorreu um dos painéis mais aguardados: “Visão dos CEOs: o futuro da mídia”, reunindo executivos da Globo, Record, SBT e Band. A sessão foi considerada histórica por refletir uma posição conjunta das principais emissoras de TV aberta no Brasil.
Daniela Abravanel Beyruti (SBT) defendeu a necessidade de união na transição para a TV 3.0, lembrando que na migração digital de 2007 cada emissora atuou de forma isolada. “Hoje trabalhamos juntos, e a adoção da TV 3.0 será ainda mais rápida”, afirmou.

Paulo Marinho (Globo) ressaltou a relevância da TV aberta no cotidiano dos brasileiros, embora reconheça o desafio de captar atenção em um ambiente dominado por múltiplas plataformas. Para ele, há um “vazio” entre o avanço tecnológico e a regulação, mas reafirmou o compromisso do setor com conteúdos de alto valor social.
Claudio Luiz Giordani (Grupo Bandeirantes) destacou que a digitalização já havia promovido uma reinvenção do meio e que a integração com as redes sociais deve ser vista como oportunidade, e não ameaça: “Não é concorrência, é fortalecimento. Rádio e TV continuarão crescendo e usando a internet a seu favor”.

Marcus Vinícius Vieira (Record) lembrou que a televisão deve responder tanto ao público quanto ao mercado publicitário, e que a TV 3.0 ajuda a derrubar barreiras tecnológicas.
Os executivos foram unânimes em apontar que a nova etapa reforçará a regionalização do conteúdo, ampliando a proximidade com as audiências e diversificando receitas. Também ressaltaram o papel legitimador da TV frente aos influenciadores digitais e o impacto crescente da inteligência artificial na forma como as novas gerações consomem mídia.

Feira comercial: mais visitantes, mais expositores
O primeiro dia de feira mostrou grande movimentação nos corredores, com expectativas de superar a participação de 2024, que já havia registrado crescimento superior a 50% em relação à edição anterior. Para este ano, projeta-se novo recorde de visitantes e ampliação da área de exposição, com estandes maiores e presença de players internacionais.
O Pavilhão do Japão voltou a ocupar posição de destaque, reafirmando o apoio histórico ao mercado brasileiro. Paralelamente, empresas chinesas exibiram soluções voltadas ao segmento prosumer, com foco em videomakers e influenciadores que buscam equipamentos acessíveis e de performance intermediária.

Software-defined broadcast: a nova base da indústria
Entre os painéis técnicos, o debate “Software-Defined Broadcast: Flexibilidade, Escalabilidade e Inteligência Operacional” analisou como a infraestrutura definida por software está redefinindo a produção audiovisual. Moderado por Fabio Acquati (NGN Telecom), o painel contou com Maurício Felix (Globo), Tim Banks (Grass Valley) e Steve Reynolds (Imagine Communications).

Felix destacou o software-defined como a nova base operacional da indústria, essencial para alcançar agilidade e automação. Defendeu ainda a necessidade de uma operação multiplataforma, capaz de atender padrões 4K, 8K e múltiplos canais de áudio.
Banks reforçou a importância da escalabilidade para acompanhar o ritmo de transformação do negócio, enquanto Reynolds ressaltou que o consumo fragmentado estimula novos modelos. Ele explicou a migração da Imagine de hardware para software, tendo o SaaS como principal fonte de receita.

Os especialistas concordaram que o modelo é viável e sustentável, mas exige uma mudança de mentalidade tanto por parte dos broadcasters quanto dos fornecedores.
Relevância: a nova moeda na era digital
O painel “A Era da Relevância: Transformando a Fragmentação em Oportunidade de Negócios”, moderado por Luís Camargo (SET), discutiu como as marcas podem conquistar audiências em um ecossistema multiplataforma. Participaram Paulo Itabaiana (Record), Giselle Ghinsberg (Disney Brasil), Breno Barcelos (Google Brasil) e Teresa Penna (Cazé TV).
Penna destacou que, para a Cazé TV, relevância está diretamente ligada ao senso de comunidade, exemplificado na transmissão digital da Copa de 2022. Itabaiana afirmou que o valor se constrói a partir de ativos desejados pelo público e capazes de gerar conversa.

Ghinsberg explicou que a Disney aposta na escuta ativa e em narrativas 360, citando o lançamento de Stitch como um fenômeno cultural. Camargo ressaltou o papel dos fandoms e de nichos hiperengajados como elementos centrais na estratégia de relevância.
O consenso foi claro: embora a fragmentação desafie a indústria, também abre espaço para oportunidades ao combinar dados, curadoria e conexão cultural genuína na construção de marcas resilientes e significativas.
Balanço do dia
O início da SET EXPO 2025 demonstrou o dinamismo de uma indústria em plena transformação. A união dos grandes broadcasters diante da TV 3.0, o avanço dos modelos definidos por software e o foco na relevância digital marcam o rumo de um ecossistema que busca consolidar sua força em um cenário cada vez mais competitivo e multiplataforma.


