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Francisco Machado Filho de ABTU: TVs universitárias enfrentam desafio no streaming

Francisco Machado Filho de TV UNESP e ABTU

A transformação do audiovisual, impulsionada pelo avanço do streaming e pela digitalização, impõe novos desafios às TVs universitárias no Brasil. Para Francisco Machado Filho, presidente da ABTU (Associação Brasileira de TVs Universitárias), o modelo tradicional já não responde plenamente às novas dinâmicas de consumo. “O modelo de radiodifusão baseado na lógica ‘um para muitos’ já não é suficiente” diante de um público que consome conteúdo sob demanda, em múltiplas telas e com expectativa de interatividade.

Esse cenário ganha força com a chegada da TV 3.0, que integra transmissão aberta e conectividade. “Essa evolução é positiva e necessária”, pois amplia possibilidades e aproxima a televisão das dinâmicas digitais. No entanto, a mudança também traz impactos estruturais importantes, especialmente para emissoras universitárias, que operam com recursos limitados e têm missão pública.

Um dos principais pontos de inflexão está na lógica de distribuição. “No sistema de televisão aberta, um único sinal alcança milhões de pessoas sem aumento relevante de custo por espectador”. Já no streaming, a lógica se inverte: cada novo acesso exige recursos adicionais de rede, processamento e entrega de dados. “Quanto maior a audiência, maior o custo”, o que altera profundamente o equilíbrio econômico dessas operações.

Nesse contexto, as CDNs (Content Delivery Networks) tornam-se essenciais. “Elas são fundamentais para garantir que vídeos sejam entregues com qualidade, sem interrupções e com baixa latência”. No entanto, esse modelo implica custos recorrentes, proporcionais ao volume de dados trafegados — um desafio significativo para estruturas que não operam com foco comercial.

Para as TVs universitárias, o impacto é direto. “Diferentemente das redes comerciais, essas emissoras não contam com receitas publicitárias robustas” e têm como missão a difusão de conhecimento e conteúdo de interesse público. Assim, a migração para o digital cria uma equação delicada, em que ampliar alcance também significa ampliar custos.

Diante dessas limitações, muitas instituições recorrem a plataformas privadas. Mas essa alternativa traz novas dependências. “O conteúdo passa a ser mediado por algoritmos, sujeito a regras comerciais e sem garantia de distribuição equitativa”, o que pode comprometer a autonomia editorial.

A sustentabilidade, portanto, passa por novos caminhos. “A resposta envolve soluções coletivas e políticas públicas”. Modelos colaborativos, como plataformas compartilhadas, podem reduzir custos, gerar escala e preservar o controle sobre os conteúdos.

Além disso, a própria arquitetura da TV 3.0 abre oportunidades. “Ao combinar broadcast e broadband, ela permite explorar a eficiência da transmissão aberta com a flexibilidade da internet”. Para as TVs universitárias, esse modelo híbrido pode representar um caminho viável, desde que acompanhado de políticas de inclusão. Sem esse suporte, o risco é claro. “As emissoras podem ser empurradas para a periferia do sistema audiovisual”, tornando-se dependentes de terceiros para distribuição. Por outro lado, se bem conduzida, a transição pode fortalecer essas instituições, ampliar seu alcance e potencializar seu impacto social.

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