
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta auxiliar e passou a ocupar um papel estrutural na produção virtual. Segundo André Arnaut, diretor da Legado Tecnology, o setor vive hoje o avanço da chamada “terceira onda das IAs”, marcada pela integração da tecnologia aos fluxos reais de criação, operação e tomada de decisão.
“A produção virtual está mudando demais. E o que está encabeçando essa mudança é a terceira onda das IAs”, afirma Arnaut. De acordo com ele, essa nova fase supera o uso superficial baseado apenas em prompts e passa a incorporar a inteligência artificial como parte ativa das estruturas de produção. “Agora as IAs passam a fazer parte realmente de estruturas de produção, criando agentes e squads para resolver processos”.
Na prática, isso significa que diferentes inteligências artificiais trabalham de forma integrada, trocando informações entre si e operando com texto, imagem e vídeo de maneira simultânea. “Você consegue fazer com que uma IA de texto entregue para uma IA de vídeo, de imagem. Elas se conversam entre si e também com usuários, clientes e departamentos”, explica.
Segundo Arnaut, estamos frente a um cenário virtual desenvolvido com apoio direto da IA, desde a concepção visual até detalhes como texturas e reflexos. “Até a textura do piso com reflexo foi sugerida pela IA”, relata. Ele reforça, no entanto, que a automação não elimina o papel humano. “Isso não é totalmente automático. Você ainda precisa do criativo supervisionando, gerenciando e capacitando essas IAs para ter um resultado artístico bacana”.
Outro ponto destacado é a possibilidade de gerar imagens e vídeos sem sair do software de produção virtual, por meio da integração com APIs de inteligência artificial. “Você não precisa nem sair de dentro do sistema para gerar imagens, vídeos ou elementos de realidade aumentada”, afirma.
A velocidade traz vantagens claras para transmissões ao vivo, jornalismo e esportes. “Faltando cinco minutos para entrar no ar, eu consigo gerar imagens, vídeos e colocar isso diretamente no cenário”, exemplifica. Segundo Arnaut, esse modelo reduz drasticamente o tempo de produção em comparação aos workflows tradicionais.
Por fim, o diretor da Legado Tecnology destaca a importância de definir limites e responsabilidades no uso da tecnologia. “Hoje é fundamental decidir quem vai fazer o quê: se é uma IA, um script automatizado ou um humano. A decisão depende do impacto financeiro e do impacto no negócio.”
Para Arnaut, o futuro da produção virtual está na colaboração inteligente entre pessoas e máquinas. “A grande sacada hoje é criar squads onde uma IA trabalha para a outra, sempre com o humano coordenando esse processo.”


