
O governo basileiro junto a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), inauguraram nesta terça-feira (14/4), na Torre de TV, em Brasília, a estação de testes da TV 3.0 — também chamada de DTV+. A iniciativa marca a evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T) e é resultado de uma parceria entre a EBC, o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na inauguração, a presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, disse que a nova tecnologia representa uma virada histórica no setor. A TV 3.0 “é uma revolução para radiodifusão, assim como foi quando a gente passou do analógico para o digital”. Segundo a presidenta da EBC, a inovação abre caminho para novas formas de assistir televisão no país.
A TV 3.0 integra radiodifusão e internet, prometendo avanços significativos na qualidade de imagem e som, além de ampliar a interatividade com o público. Na prática, os canais passam a funcionar como aplicativos na tela da televisão, permitindo ao espectador escolher como consumir o conteúdo da TV aberta.
Entre as novidades, quem assiste ao programa Sem Censura, da TV Brasil, poderá selecionar o ângulo de câmera para acompanhar a apresentadora Cissa Guimarães ou ajustar, de forma independente, o volume do conjunto musical. Em transmissões esportivas, como partidas de futebol, será possível optar pela visão a partir da torcida do próprio time, ouvir os cânticos do estádio ou escolher a narração de um locutor específico.
Antonia afirmou que a TV 3.0 “será um ganho muito grande para o setor audiovisual, para o jornalismo e para inúmeras frentes que compõem a radiodifusão”, e nesse contexto, ressaltou o papel estratégico da comunicação pública nesse processo, considerando “importantíssima” a participação da EBC nos testes e lembrando que os canais públicos “tem vocação para democratização do conhecimento da informação.”
Na avaliação de Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, a tecnologia amplia a oferta de conteúdos e serviços ao público. “A tecnologia vai permitir a entrega de mais conteúdos, informações complementares, vídeos complementares, de maneira que a experiência de assistir à televisão aberta vai se aproximar cada vez mais de uma experiência conectada, uma experiência logada”.
Ele acrescenta que, na comunicação pública, isso se traduz em “mais serviço, mais informação, mais possibilidade de atender ao cidadão não apenas com som e imagem, mas também, por exemplo, com localização de diversos serviços de natureza pública”.
Implementação gradual
Assim como ocorreu na transição do sistema analógico para o digital, a implantação da TV 3.0 será feita por etapas. A fase inicial de testes já acontece em Brasília e em São Paulo, onde os experimentos começaram em agosto do ano passado. Em seguida, a tecnologia deve chegar às capitais e grandes cidades, para depois alcançar municípios médios e pequenos.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, estima que todo o processo de implantação se estenda por cerca de uma década. Segundo ele, o avanço dependerá tanto do investimento das emissoras em novos transmissores e equipamentos quanto da disponibilidade de televisores compatíveis e conversores.
“As emissoras já estão se adaptando com investimento em transmissores e em novos equipamentos para viabilizar essa transmissão. Em paralelo a isso, serão desenvolvidos conversores”, destaca o ministro, informando ainda que o governo dialoga com o setor produtivo para a fabricação dos aparelhos.
O conversor da TV 3.0, conhecido como Set-Top Box, será conectado à televisão por meio de cabo HDMI e às antenas digitais UHF/VHF já utilizadas hoje. A recepção do sinal não exige conexão com a internet, mas o acesso a recursos interativos e conteúdos sob demanda dependerá de Wi‑Fi ou cabo Ethernet.
Para a Anatel, os investimentos se justificam pelo alcance da TV aberta no país. O conselheiro Octavio Penna Pieranti lembra que “a televisão aberta é o meio de comunicação mais inclusivo que temos” e ressalta que “o brasileiro assiste mais de 5 horas diárias de televisão.” Segundo ele, trata-se de uma plataforma estratégica para aproximar ainda mais o Estado do cidadão.



