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Multicast ABR, edge e 5G Broadcast: o caminho para escala em eventos ao vivo

Parece ser consenso dos executivos da indústria que a NAB 2026, que se realiza de 19 a 22 de abril, deve consolidar uma mudança estrutural no ecossistema de mídia: o fim da dicotomia entre OTT e broadcast. Para Fabio Acquati, diretor da NGN Technologies, a TV 3.0 materializa essa convergência ao posicionar a TV aberta como uma plataforma híbrida, integrando radiodifusão, aplicações conectadas e personalização.

Fabio Acquati de NGN Technologies

“Vejo que não existe mais OTT versus broadcast, mas uma única arquitetura híbrida onde cada tecnologia faz aquilo em que é mais eficiente”, afirma. Segundo Acquati, o broadcast segue como o meio mais eficiente para distribuição massiva, com latência previsível e confiabilidade, enquanto o OTT acrescenta camadas de experiência, dados e interatividade. “Isso significa separar claramente plano de distribuição e plano de experiência”, resume. Tecnologias como DMF/MXL, multicast ABR, edge delivery e até 5G Broadcast surgem, na NAB 2026, como pilares dessa integração.

Essa lógica híbrida se torna ainda mais crítica quando o tema é escala em eventos ao vivo. O diretor da NGN Technologies é direto ao apontar os limites do streaming tradicional: “Streaming em unicast puro não escala economicamente para eventos massivos”. O problema, explica, é estrutural: em picos de audiência, custos crescem linearmente, pressionando CDNs, redes e consumo energético.

Assim, disse o executivo, a alternativa passa por arquiteturas one-to-many. “Adoção de modelos híbridos baseados em multicast ABR, edge computing e integração com broadcast e 5G Broadcast”. Nesse modelo, o conteúdo principal é distribuído de forma massiva, enquanto o IP cuida de personalização, DRM e analytics, reduzindo drasticamente o footprint de rede.

Além da distribuição, o foco da indústria se desloca para dados e experiência. “O desafio atual não é mais transporte de vídeo, é orquestração de experiência”, diz Acquiti. A TV 3.0, ao nascer orientada a aplicações web, facilita a integração entre TV linear, VOD e interatividade. Na NAB 2026, ele observa avanços na padronização e no desacoplamento entre camadas de conteúdo, aplicações e dados, permitindo experiências contínuas e sem rupturas. “O desafio deixou de ser entregar vídeo e passou a ser orquestrar dados, identidade e experiência de forma consistente.”

No campo da monetização, a transformação é igualmente profunda. “A monetização está migrando de um modelo baseado em grade para um modelo orientado a dados”, afirma. A publicidade endereçável, a inserção dinâmica e métricas mais precisas aproximam a TV aberta do digital sem perder alcance. Modelos híbridos que combinam AVOD, FAST e SVOD, com SSAI e DAI, ganham tração, tornando o inventário programável e ampliando estratégias de receita.

Por fim, Acquati destaca que, no Brasil e na América Latina, a evolução passa necessariamente pelo broadcast. “Acho que a NAB 2026 reforçará que o caminho não é substituição, mas composição”. Para ele, o futuro regional está em usar o broadcast como backbone de escala e resiliência, com o IP como camada de inovação. “Na América Latina, o futuro não é escolher entre broadcast e OTT, mas saber integrar os dois com máxima eficiência.”

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