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Brasil consolida a transição digital e projeta a TV 3.0 como nova fase da radiodifusão


Debates do SET:30 reforçam o protagonismo da Anatel na regulação, da IABM na transformação da MediaTech e do Google Brasil na convergência entre audiovisual e digital, apontando a TV 3.0 como eixo de inovação, inclusão e novos modelos de negócio.

Octavio Pieranti de Anatel

A radiodifusão brasileira entrou oficialmente em uma nova etapa de maturidade tecnológica com o encerramento do desligamento da TV analógica e o avanço decisivo rumo à TV 3.0. Durante o SET:30, executivos, reguladores e representantes da indústria destacaram que o país não apenas concluiu uma das maiores transições digitais do mundo, como agora se posiciona para liderar um modelo de televisão mais interativo, conectado e inclusivo. A Anatel afirmou seu papel central nesse processo, enquanto a indústria global de MediaTech, representada pela IABM, e empresas de tecnologia como o Google Brasil apontaram caminhos para sustentabilidade, inovação e monetização.

Marco Lopes, CEO da Mediastream Brasil

Na abertura do último dia do evento, o conselheiro diretor da Anatel, Octavio Penna Pieranti, ressaltou a dimensão e a relevância da radiodifusão no país, que reúne mais de 35 mil canais, incluindo 21 mil de TV digital. Segundo ele, a agência encerrou com sucesso o desligamento da TV analógica — considerado referência internacional — após mais de dez anos de trabalho, com impactos diretos em mais de 21 mil municípios e a distribuição de milhões de kits de recepção digital para famílias de baixa renda. Com essa etapa concluída, o foco se volta agora à implantação da TV 3.0, já com autorizações temporárias em operação, consultas públicas em andamento e a construção de um marco regulatório que dê segurança às emissoras e estimule a inovação. Pieranti destacou ainda que a proposta é tornar a nova TV uma plataforma acessível também às pequenas emissoras, promovendo personalização, serviços públicos digitais e inclusão regional.

No plano internacional, a transformação do setor foi analisada pela IABM — recentemente rebatizada como IAMT — em apresentação da CEO Saleha Williams. A entidade apontou que a indústria de Broadcast & MediaTech vive menos uma ruptura e mais uma evolução guiada por três pilares: agilidade, avaliação rigorosa de investimentos e confiança. A adoção crescente de cloud, modelos híbridos e soluções definidas por software avança junto a uma postura mais cautelosa de compradores, que exigem retorno mensurável, especialmente em projetos de inteligência artificial. Para a IABM, a confiança — ligada à transparência, autenticidade e credibilidade do conteúdo — tornou-se um diferencial competitivo em um mercado mais seletivo e pressionado por custos.

Marcel Corrado de Google

A convergência entre broadcast e digital também esteve no centro dos debates sobre monetização. Em painel sobre TV 3.0 e modelos transmídia, executivos defenderam que o audiovisual precisa se afirmar como complementar, e não concorrente, do ambiente digital. Representando o Google Brasil, Marcel Conrado destacou que a chave está na integração de dados, na mensuração consistente e na capacitação de anunciantes e criadores para explorar plenamente as plataformas disponíveis. A combinação entre conteúdo premium, experiências imersivas, interatividade e oportunidades de compra foi apontada como um dos caminhos para novas receitas, especialmente no “ao vivo”, sem romper a experiência do telespectador.

Rodrigo Martinez (Rede CNT), Thiago Perrella (Bandeirantes), Jose Marcelo Amaral (RecordTV), Ana Eliza Faria e Silva (Globo) e Fernando Bittencourt (SET)

O SET:30 fechou com um painel moderado por Fernando Bittencourt, ex-presidente da SET: “Panorama Executivo: uma visão estratégica dos líderes do setor sobre os caminhos e oportunidades para a radiodifusão”. Na avaliação dos participantes, o DTV+ surge como resposta à fragmentação do consumo de mídia, buscando relevância em um cenário distante do antigo modelo centralizado. José Marcelo Amaral (RecordTV) destacou, sob a ótica da indústria de software, que a tecnologia pode tornar o telespectador mais ativo, citando iniciativas vistas no estande da ATSC para “trazer de volta pessoas que migraram para o digital”, por meio de programas interativos, shopping TV e revitalização de acervos, ampliando o engajamento ao longo da cauda longa.

Ana Eliza Faria e Silva de Globo com o Ministro Frederico de Siqueira Filho

O debate também apontou uma mudança no esporte: na Copa do Mundo, por exemplo, a cobertura deixa de ser apenas linear e passa a integrar bastidores, perfis de atletas e experiências complementares, especialmente para a geração Z. Segundo Ana Eliza Faria e Silva (Globo), esse movimento indica “um novo modelo de cobertura”, que vai além do evento em si e amplia o papel das emissoras.

Ao final do SET:30, o consenso entre reguladores, indústria e empresas de tecnologia foi claro: a TV 3.0 simboliza não apenas uma nova geração técnica da televisão, mas um projeto estratégico para reposicionar a radiodifusão brasileira em um ecossistema digital fragmentado. Com regulação em construção, eficiência operacional como prioridade e parcerias entre emissoras, associações e gigantes de tecnologia, o setor aposta que inovação, confiança e inclusão serão os pilares da próxima fase da TV no Brasil.

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