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Ucan: como a baixa latência está transformando a transmissão ao vivo

Por Jean Augusto, Diretor Geral da UCAN

Grandes eventos sempre foram um ambiente natural de inovação para o setor de mídia. Em coberturas esportivas, festivais, operações governamentais ou missões críticas, cada detalhe depende de precisão, rapidez e capacidade de adaptação. 

Nos últimos anos, essas operações passaram por uma transformação profunda, impulsionada pela evolução da mobilidade, pelo uso de redes híbridas e por tecnologias de baixa latência que ampliaram de forma significativa o alcance e a eficiência das produções ao vivo.

A lógica que antes dependia de infraestrutura pesada, enlaces fixos e planejamento rígido deu lugar a um ecossistema mais ágil, flexível e inteligente. Equipamentos móveis permitem acessar áreas antes limitadas, enquanto redes de transmissão que combinam diferentes conexões garantem estabilidade mesmo em cenários desafiadores. 

O resultado é uma produção dinâmica, capaz de se adaptar ao ritmo do evento e explorar ângulos e narrativas que antes não eram possíveis.

A baixa latência tornou-se um elemento central desse processo. Em transmissões de grande visibilidade, alguns milissegundos podem comprometer sincronização, áudio, dinâmica editorial e até mesmo a segurança de uma operação. 

A capacidade de entregar vídeo praticamente em tempo real modificou o modo como equipes de direção, comentaristas e operadores trabalham, criando uma experiência mais fluida tanto para quem produz quanto para quem assiste.

Entre as transformações mais marcantes que tive o privilégio de acompanhar mais recentemente foi a evolução das operações aéreas onde a transmissão ao vivo via helicóptero, que antes dependia de enlaces proprietários complexos, hoje integra fluxos móveis de alta estabilidade, permitindo visualização imediata em centros de comando, redações e unidades de direção. 

A mesma lógica se estende a motocicletas, veículos de reportagem, drones e câmeras de mão, compondo um ecossistema totalmente móvel que acompanha o evento de ponta a ponta com liberdade total de movimento.

A mobilidade também impacta diretamente a economia das transmissões pois a substituição de enlaces dedicados por redes híbridas reduziu custos operacionais, ampliou possibilidades de cobertura e permitiu que equipes fossem mais enxutas sem perder qualidade. 

Minha percepção sobre esse cenário é fortemente influenciada por experiências vividas na prática. 

Em 2016, tive a responsabilidade de liderar no Brasil a operação de fornecimento de equipamentos LiveU para as transmissões dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Foi uma das coberturas mais complexas já realizadas por nós da Ucan no país, envolvendo importação de um volume significativo de unidades, logística detalhada, logística reversa, configuração individual, suporte em tempo integral e atendimento a emissoras do mundo inteiro.

Cada estágio da operação exigiu precisão extrema. Ver equipes internacionais trabalhando com estabilidade, mobilidade e qualidade, e perceber a satisfação dos clientes diante de um evento dessa magnitude, foi um aprendizado valioso sobre resiliência, planejamento e excelência técnica em ambientes de alta pressão.

Acredito que o futuro das transmissões ao vivo seguirá sendo construído pela combinação de mobilidade, inteligência de rede e processos mais flexíveis. Mais do que equipamentos, trata-se de criar um ecossistema capaz de transformar complexidade em eficiência e tecnologia em impacto real. 

Grandes eventos continuarão sendo vitrines dessa transformação, revelando como inovação, criatividade e precisão técnica podem caminhar juntas para entregar experiências marcantes ao público.

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