
A transição para a TV 3.0 (DTV+) impõe desafios de planejamento de rede e cobertura que exigem ajustes na operação dos sistemas atuais de radiodifusão, explica Emerson Costa, coordenador de Sistemas de RF da Record TV, e afirma que uma das estratégias para favorecer o telespectador durante esse período consiste na busca pela equivalência de cobertura entre os sinais da TV 2.0 e da futura plataforma de TV 3.0, processo conhecido como matching de footprint.
A TV 3.0 utiliza tecnologias mais avançadas de codificação e transmissão, como o codec de vídeo VVC (H.266), modulações de alta eficiência, incluindo LDM (Layered Division Multiplexing), e mecanismos robustos de correção de erros (Forward Error Correction – FEC, explica Costa e defende que essa combinação permite transportar um volume maior de dados, incluindo conteúdos em 4K e HDR, mantendo níveis de recepção equivalentes ou até inferiores aos atualmente exigidos pelo padrão ISDB-T.
No ambiente da TV 2.0, um dos fatores que impactam diretamente a cobertura é a modulação utilizada. O ISDB-T operando em 64QAM requer uma relação sinal-ruído relativamente elevada, em torno de 19 a 20 dB na Camada A, para assegurar uma recepção estável em ambientes internos. Como alternativa, a adoção de 16QAM reduz significativamente o limiar necessário de recepção, levando essa exigência para a faixa de 13 a 14 dB e aumentando a robustez do sinal recebido dentro das residências.
«Ao configurar o ISDB-T em 16QAM, é possível aproximar a área de cobertura da TV 2.0 ao desempenho de recepção que a TV 3.0 terá de forma nativa. Isso permite uma equalização mais eficiente entre as tecnologias durante o período de convivência dos dois sistemas», explica Costa.
Segundo o especialista, a medida contribui para manter a qualidade de recepção dos televisores legados mesmo em cenários nos quais a infraestrutura de transmissão passe por adaptações para acomodar a TV 3.0. Além disso, a aproximação dos níveis de robustez entre os dois sistemas simplifica atividades de planejamento de rede e engenharia de radiofrequência, favorecendo uma transição gradual da infraestrutura de broadcast até o desligamento definitivo da tecnologia atual.



