
Para Hailton Lopes, Gerente Executivo de Tecnologia da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) a principal transformação associada à TV 3.0 não está apenas na evolução da experiência audiovisual, mas na construção de uma nova infraestrutura digital capaz de integrar comunicação, serviços públicos e plataformas tecnológicas. Segundo o autor, a adoção do novo padrão representa uma mudança estrutural na arquitetura da comunicação pública brasileira, ao reunir radiodifusão, computação em nuvem, distribuição de conteúdo, aplicações digitais, segurança cibernética e serviços governamentais em um mesmo ecossistema.
Lopes argumenta que a discussão sobre a TV 3.0 deve ir além dos avanços tradicionalmente associados à televisão, como melhorias de imagem, áudio imersivo e interatividade. Na avaliação de Lopes, o debate central passa pela capacidade da nova arquitetura tecnológica de servir como plataforma integrada para a oferta de informações e serviços à população. Nesse contexto, a infraestrutura deixa de ser entendida apenas como um conjunto de equipamentos e redes e passa a assumir uma função estratégica para o desenvolvimento digital do país.
O executivo da EBC afirma que essa transformação aproxima a infraestrutura da TV 3.0 do conceito de política pública digital. A proposta baseia-se na premissa de que o acesso à informação confiável, aos serviços digitais e aos mecanismos de participação cidadã depende de estruturas tecnológicas capazes de alcançar a população de forma abrangente, independentemente de fatores geográficos ou socioeconômicos.
Outro ponto destacado por Lopes é a convergência entre radiodifusão e internet. Segundo a Gerente Executivo de Tecnologia da EBC, Broadcast e rede IP, historicamente desenvolvidos em trajetórias distintas, passam a operar de forma integrada. Essa convergência exige arquiteturas que incorporem recursos de OTT, computação em nuvem, redes de distribuição de conteúdo (CDNs), edge computing, inteligência artificial, APIs e plataformas de dados em uma mesma operação. O resultado é uma infraestrutura que demanda altos níveis de disponibilidade, interoperabilidade, desempenho, segurança e observabilidade.
Por outro lado, Lopes chama atenção para a complexidade técnica que sustentará os serviços da próxima geração. Embora a experiência do usuário final seja simplificada, com acesso transparente a conteúdos, aplicações e interações digitais, a operação dependerá de ambientes distribuídos, monitoramento em tempo real, automação operacional, distribuição inteligente de conteúdo e mecanismos avançados de proteção cibernética. Para o autor, essa infraestrutura tende a permanecer invisível para o cidadão, característica comum aos sistemas considerados críticos para o funcionamento da sociedade.
Ao abordar os impactos para a engenharia da comunicação pública, Lopes afirma que temas como arquitetura digital, governança, interoperabilidade, proteção de dados, resiliência, escalabilidade, automação e inteligência operacional passam a integrar a agenda estratégica do setor. Segundo o executivo da EBC, a convergência entre Broadcast, Cloud e Governo Digital exigirá profissionais capazes de atuar de forma multidisciplinar e poderá posicionar a TV 3.0 como um marco na construção de uma infraestrutura pública digital integrada, voltada à conexão entre tecnologia, comunicação e cidadania.



