
Na NAB 2026, Jaime Ferreira, CEO da Avicom, destaca soluções híbridas, eficiência de distribuição e novos modelos de monetização como pilares da próxima fase do audiovisual, em um momento onde a TV 3.0 deixou de ser uma promessa e passou a orientar decisões estratégicas de todo o ecossistema audiovisual.
Para Ferreira o novo modelo redefine a relação entre televisão aberta e OTTs. “Deixamos de falar em competição entre OTT e broadcast. A TV 3.0 já nasce como uma plataforma híbrida, e isso muda completamente a lógica do mercado”, afirma.
Segundo o executivo, um dos principais aprendizados da NAB 2026 será a consolidação de padrões que tornam essa convivência viável na prática. Tecnologias como DTV+, DASH e CMAF, aliadas à sinalização via broadcast para ativação de aplicações conectadas, criam uma integração fluida entre RF e IP. “Na prática, o usuário passa a enxergar uma experiência única, com o conteúdo chegando pela melhor rota possível, de forma transparente”, resume Ferreira.
Outro ponto central está na distribuição de eventos ao vivo em larga escala, historicamente um gargalo para o streaming. A Avicom observa que os custos de distribuição podem representar até 40% da operação de uma OTT. “Definir uma estratégia eficiente deixou de ser técnico e passou a ser vital para a sustentabilidade do negócio”, diz. Entre as soluções destacadas estão Multi-CDN, CDNaaS dedicada a vídeo e, sobretudo, Multicast ABR, capaz de reduzir o tráfego em até 90%. “O caminho mais promissor é o modelo híbrido: distribuição massiva via broadcast ou multicast, com OTT complementando com personalização e interatividade.”
A TV 3.0 também impulsiona avanços em dados, identidade e experiência do usuário. Como integradora, a Avicom aposta em plataformas que ofereçam visão unificada do consumidor. Ferreira cita a EiTV CLOUD, que passa a se chamar EiTV ON, como exemplo: “É uma plataforma que orquestra conteúdo, personalização e monetização com inteligência de dados em tempo real, garantindo consistência entre dispositivos e redes.” A sincronização entre aplicações e conteúdos broadcast e IP é apontada como um diferencial decisivo dessa nova fase.
Na monetização, o movimento é igualmente híbrido. “A TV aberta incorpora publicidade endereçável e métricas do digital, enquanto o OTT busca escala e previsibilidade do broadcast”, avalia. A Avicom destaca soluções para AVOD, FAST e SVOD, com formatos que vão de pre-roll e mid-roll a banners, overlays, pause ads e experiências interativas e shoppables. “Modelos mais sofisticados melhoram o retorno para anunciantes e ampliam receitas”, diz Ferreira, citando stacks agnósticos como o broadpeak.io.
Por fim, no contexto brasileiro e latino-americano, a regulação e o espectro seguem estratégicos. A TV 3.0 abre espaço para parcerias Broadcast as a Service, facilitando compliance e novos acordos. “Emissoras trazem capilaridade e escala, enquanto as OTTs agregam tecnologia e dados. A convergência é inevitável”, conclui o CEO da Avicom.


