
O cenário do entretenimento digital no Brasil está passando por uma profunda transformação — e os protagonistas dessa mudança não são mais apenas as grandes operadoras. Os Internet Servers Providers (ISPs) vêm ganhando força ao incorporar serviços de conteúdo em seus pacotes, oferecendo mais conveniência ao consumidor e promovendo inclusão digital mesmo fora dos grandes centros.
“A relação do consumidor com a internet mudou, pois ele quer mais do que velocidade, quer valor agregado”, afirma Maurício Almeida, fundador e presidente da Watch TV, plataforma de streaming pensada exclusivamente para ISPs. A empresa atua hoje em parceria com mais de 1.700 provedores no Brasil, oferecendo uma solução que combina conectividade e acesso a conteúdo premium, como Paramount+, HBO Max e Globo.
Segundo dados da Anatel, as Prestadoras de Pequeno Porte (PPP) já detêm 56,4% do mercado de banda larga fixa no país. Para Almeida, isso coloca os ISPs em uma posição privilegiada para inovar na experiência do usuário. “Impulsionados pela necessidade do consumidor por conveniência, os ISPs têm adotado uma postura mais estratégica, consultiva e focada na experiência do usuário”, avalia.
Com o brasileiro assinando, em média, 3,2 plataformas de streaming por domicílio, segundo a Kantar Ibope Media, e 44% dispostos a cancelar serviços por custo ou falta de uso, conforme estudo da Accenture, os ISPs oferecem uma alternativa inteligente. Por meio de pacotes integrados, que unificam múltiplas plataformas com preços mais acessíveis e cobrança centralizada, esses provedores aumentam o ticket médio, reduzem a taxa de cancelamento e fidelizam a base.
Segundo o executivo, a Watch conecta os provedores a grandes estúdios e emissoras. A solução permite que os provedores criem pacotes customizados de internet plus streaming, mesmo sem investir em tecnologia própria ou acordos de licenciamento direto. “Ao assumirem esse novo papel de integradores de serviços, os ISPs deixam de ser apenas fornecedores de infraestrutura e passam a ocupar espaço estratégico na jornada digital dos consumidores. A transformação impulsionada por essas empresas, muitas vezes com operação local ou regional, tem sido fundamental para democratizar o acesso à informação, ao entretenimento e à tecnologia”, explica.
A Watch, lançada em 2018, viabiliza esse modelo com um hub completo de conteúdo sob demanda, canais ao vivo e aluguel de lançamentos — tudo isso sem que o provedor precise investir em tecnologia própria ou negociar diretamente com estúdios. “O mercado exige soluções escaláveis, porém personalizadas. Nosso modelo foi criado para permitir que ISPs de qualquer porte entreguem uma experiência comparável às grandes operadoras, inclusive com mais flexibilidade e foco local”, finaliza Almeida.
Ao atuarem como integradoras de serviços, as ISPs não são mais apenas fornecedoras de infraestrutura. Estão se tornando atores fundamentais na jornada digital dos brasileiros, democratizando o acesso ao entretenimento, à informação e à inovação em todo o país.


