
Marcello Coltro, gerente-geral Brasil e SVP de Distribuição, Marketing e Produções Originais LATAM da NBCUniversal Networks & DTC, participou do +TV Fórum, realizado em São Paulo, e afirmou que a empresa pretende ampliar sua atuação no mercado brasileiro. Segundo o executivo, o Brasil apresenta características próprias dentro da indústria audiovisual latino-americana, com rápida adaptação às transformações tecnológicas e mudanças nos hábitos de consumo. “O Brasil é um país de transformação muito rápido. É o país que mais se adaptou à questão de streaming”, afirmou.
A estratégia da companhia inclui a expansão do Universal+, serviço de streaming lançado no Brasil há cerca de dois anos. Coltro explicou que, após o crescimento inicial por meio de grandes distribuidores, a empresa identifica espaço para ampliar a presença da plataforma no país. “A gente vê que tem um mercado, um tamanho de mercado, barreiras grandes, mas com possibilidade de continuar crescendo”, afirmou. Nesse processo, a estratégia mantém como um dos eixos o relacionamento com os distribuidores. “A nossa visão nesse momento é continuar a trabalhar com os nossos parceiros”, disse.
O executivo também destacou a busca por novas formas de distribuição. Embora o Universal+ esteja disponível diretamente ao consumidor em plataformas digitais, a NBCUniversal pretende ampliar parcerias com empresas que não fazem parte dos modelos tradicionais de distribuição. “Nós vamos usar a questão da parceria com os não tradicionais para acelerarmos”, explicou Coltro. Segundo ele, essa estratégia não substitui o trabalho desenvolvido com os distribuidores tradicionais, mas busca ampliar as possibilidades de acesso ao conteúdo.
Na avaliação de Coltro, a companhia não trata canais lineares e streaming como operações separadas. A estratégia considera o conteúdo e a forma mais adequada de disponibilizá-lo de acordo com os diferentes perfis de consumo. “Nós não olhamos essa separação linear e streaming. A gente olha primeiro o conteúdo: qual é o melhor conteúdo para eu oferecer?”, afirmou. Para o executivo, a distribuição deve considerar diferentes plataformas, janelas e modelos de acesso, preservando a estratégia de cada parceiro.

Essa abordagem também se aplica ao conteúdo produzido originalmente para diferentes mercados. Coltro destacou o nível de engajamento do público brasileiro e afirmou que o país apresenta uma produção original superior à observada pela companhia em outros mercados da América Latina. “No Brasil nós temos um volume de produções originais muito superior ao volume que a gente tem na América Latina”, disse. Segundo ele, conteúdos desenvolvidos no país também podem contribuir para a estratégia regional da empresa.
O comportamento do consumidor é apontado pelo executivo como um dos principais fatores de transformação da indústria. Para Coltro, a atual mudança tecnológica não reproduz integralmente ciclos anteriores porque as diferenças entre gerações e formas de consumo são mais acentuadas. “Essa transformação que está passando agora é parecida, mas não é a mesma, porque você tem uma diferença no comportamento do consumidor muito maior do que tinha anteriormente”, afirmou. Nesse cenário, a estratégia das empresas passa pela adaptação dos conteúdos e dos modelos de distribuição às novas formas de consumo.
A fragmentação do mercado também está levando à revisão dos modelos de empacotamento. Coltro avalia que os bundles são uma resposta à multiplicação de serviços e opções disponíveis ao consumidor. “Os bundles são uma resposta à fragmentação, à complicação que a gente trouxe para essas várias audiências. A gente tem que agora simplificar”, afirmou. Segundo ele, os formatos de empacotamento também estão se diversificando, com diferentes possibilidades de integração entre serviços, plataformas e operadores.
O executivo também abordou o crescimento dos modelos com publicidade e dos canais FAST. Na avaliação de Coltro, a expansão desses formatos precisa considerar o estágio de maturidade de cada mercado e o valor dos conteúdos em suas diferentes janelas de distribuição. “A América Latina ainda é um mercado que está sendo observado de forma muito cuidadosa para não diminuir o valor desse conteúdo quando ele ainda não está pronto para passar para esse tipo de negócio por conta de monetização”, explicou. Para ele, a evolução entre modelos premium, publicidade e FAST precisa considerar o potencial de monetização de cada conteúdo.
Dados e inteligência artificial também foram apontados como elementos da transformação da indústria. Coltro afirmou que a IA pode ampliar a capacidade das empresas de compreender o comportamento do público e trabalhar estratégias de aquisição, retenção e engajamento. “A IA vai ser fantástica para você realmente aumentar essa jornada”, afirmou. Segundo o executivo, a tecnologia pode contribuir para identificar padrões de consumo e apoiar decisões relacionadas à retenção e ao relacionamento com os assinantes.
Nesse contexto, o acesso aos dados e a integração dessas informações entre empresas de mídia e distribuidores aparecem como pontos de desenvolvimento para o mercado latino-americano. Coltro destacou que ainda existem limitações na troca de dados entre parceiros e defendeu uma evolução na colaboração entre as empresas. “A gente tem que trocar essa data para o benefício de ambos”, afirmou. Para o executivo, o compartilhamento adequado de informações pode contribuir para compreender melhor o consumo, aprimorar o engajamento e alinhar estratégias de distribuição e monetização.



