
O segundo dia da 9ª edição do +TV Fórum foi realizado em 13 de agosto de 2026, no WTC Events Center, em São Paulo, reunindo executivos de operadoras, programadores, plataformas digitais, empresas de tecnologia, produtores de conteúdo, consultorias e entidades do setor audiovisual. O encontro teve como foco a evolução dos modelos de distribuição de conteúdo, a convergência entre TV por assinatura, streaming e TV conectada, além dos desafios relacionados à monetização, publicidade e mudanças nos hábitos de consumo.
A programação foi aberta por entrevistas com Oscar Simões, presidente da ABTA, e Jonas Antunes, diretor da entidade, que abordaram temas relacionados ao mercado de TV por assinatura e entretenimento. Durante a entrevista, Simões anunciou que deixará a presidência da ABTA após 14 anos à frente da entidade. Segundo ele, a decisão faz parte de um processo de renovação. “Precisávamos passar por uma mudança. Precisamos mudar o ciclo. Eu tenho um vínculo com a ABTA, mas é bom ter mudança, que tem risco, mas também tem esperança”, afirmou.

De acordo com Simões, o processo de transição começou a ser estruturado no início do ano. A mudança deverá ser aprovada em setembro, e Jonas Antunes assumirá a presidência em janeiro de 2027. Simões permanecerá na entidade até dezembro para contribuir com o processo de transição. “Fico até dezembro para termos uma transição tranquila. Há desafios grandes que encarar”, afirmou.
Jonas Antunes, que está há 11 anos na ABTA, afirmou estar “confiante” e ansioso diante do novo desafio. “Sinto a confiança do mercado”, declarou. Ao abordar a mudança de liderança, Antunes destacou a continuidade das ações desenvolvidas pela entidade durante a gestão de Simões. Entre as prioridades apontadas por Antunes está o combate à pirataria. “Vamos continuar trabalhando contra a pirataria”, afirmou. Segundo ele, essa frente de atuação também poderá ampliar a participação da ABTA em outras discussões relacionadas ao setor. O combate à pirataria, afirmou, “nos fará uma entidade transversal, que nos vai permitir continuar a trabalhar regulamentação e diretrizes da indústria”.

NBCUniversal destaca expansão do Universal+ e adaptação às mudanças no consumo
Marcello Coltro, gerente-geral Brasil e SVP de Distribuição, Marketing e Produções Originais LATAM da NBCUniversal Networks & DTC, participou do +TV Fórum, realizado em São Paulo, e afirmou que “o foco é estar mais presente no Brasil”. Segundo ele, após o avanço da empresa na região, “hoje vemos um mercado no Brasil para poder continuar crescendo no Universal+ Brasil”, com uma estratégia voltada ao “apoio aos distribuidores”.
Coltro explicou que, embora o produto tenha modelo B2C, a empresa pretende manter e ampliar a atuação conjunta com seus parceiros. “Queremos continuar trabalhando com os nossos parceiros e acelerar as parcerias com afiliadas não convencionais que acelerem o crescimento da plataforma”, afirmou. Sobre a produção original, Coltro destacou que o “Brasil tem engajamento” e que o mercado permite desenvolver conteúdos locais que posteriormente podem ser expandidos para outros países da região.

Para o executivo, “a transformação da indústria é parecida às anteriores, mas não é a mesma”, principalmente em razão das mudanças no comportamento do consumidor. “Há diferença de consumo das gerações. O consumidor mudou e está consumindo de outra forma, e aqui, nós nos estamos adaptando a isso”, afirmou.
Coltro também abordou a adoção de bundles como uma resposta à fragmentação do mercado de streaming. Segundo ele, diante da multiplicação de serviços e opções para o consumidor, “agora temos de simplificar”.
Entre as apresentações especiais, Rodrigo Salinas, sócio do CQSFV Advogados, abordou o tema “Licenciamento Audiovisual na Era da Inteligência Artificial”, discutindo os impactos da IA sobre direitos e modelos de licenciamento. Na sequência, João Camargos, senior product lead do Nubank, apresentou a experiência da instituição financeira na oferta de conteúdos como parte de sua estratégia de relacionamento com clientes.

Publicidade: como ganhar mais fatias de um mesmo bolo
O primeiro painel da tarde debateu as transformações do mercado publicitário diante da multiplicação das plataformas de distribuição audiovisual. Sob o tema “Publicidade: como ganhar mais fatias de um mesmo bolo”, o debate reuniu Eliseu Barreira, diretor de Estratégia e Inteligência de Negócios da Globo; André Gramorelli, vice-presidente de Publicidade da Warner Bros. Discovery; e Janaína Tadeu, gerente de Conteúdos e Estratégia de Negócios da LG Electronics. A moderação ficou a cargo da presidente da Aboots (Associação Brasileira de OTTs e Streamings), Yassue Inoke.
A discussão abordou o crescimento dos canais FAST, das plataformas de streaming com publicidade, dos agregadores de conteúdo, das TVs conectadas e o desenvolvimento da TV 3.0. Os participantes discutiram como diferentes modelos de distribuição disputam investimentos publicitários, os desafios da mensuração de audiência e da atenção do consumidor, além do uso de dados para ampliar a monetização das plataformas digitais e lineares.

Nesse contexto, Barreira afirmou que o desafio “passa por entender o consumidor”, deixando de observá-lo de forma estanque e adotando uma visão mais “ecossistêmica”. Segundo ele, o debate atual está centrado nos dados e nas diferenças entre dados auditados e proprietários. O executivo defendeu a necessidade de “uma moeda única que possa medir, com interoperabilidade, e resgatar os princípios básicos da matemática”, evitando a duplicação de dados.
Barreira também destacou a importância de métricas que “sejam qualificantes”. “Falamos de um tripé: atenção, relevância e engajamento, além da simultaneidade, ou seja, a quantidade de pessoas alcançadas ao mesmo tempo”, afirmou. A avaliação foi reforçada por André Gramorelli, que defendeu a necessidade de “definir um alinhamento” e responder a uma questão central: “Como e quem vai medir?”.

Por fim, o executivo da Globo observou que os hábitos de consumo estão mudando e afirmou que a Copa do Mundo demonstrou como a “experiência coletiva” continua sendo fundamental no cenário atual.
Palestra especial sobre mercado publicitário
Após o painel de publicidade, Melissa Vogel, CEO do CENP, realizou uma palestra especial voltada ao cenário da comunicação e da publicidade no Brasil. A apresentação integrou a programação dedicada às transformações dos modelos de negócios da indústria audiovisual e ao papel da publicidade na sustentação econômica do ecossistema de mídia.
Melissa disse que a “hiperfragmentação” tem tornado “a mensuração das mídias cada vez mais complexa, exigindo não só métricas integradas”, senão comparáveis. Outro desafio é a transparência de dados, explicou, e afirmou que hoje as pesquisas não são exatas porque é quase impossível porque não dá para “ medir todo o que se está consumindo já que o consumo está cada vez mais fragmentado”, e então sem dados integrados não funciona. “A medição cada vez mais será híbrida”.

Do on demand ao linear: as tendências (e necessidades) de conteúdos
O último grande debate do evento foi o painel “Do on demand ao linear: as tendências (e necessidades) de conteúdos”, que reuniu representantes de empresas de mídia, produção audiovisual e plataformas digitais para discutir a coexistência entre modelos lineares e serviços sob demanda.
Participaram da conversa Ana Gondolo, diretora de Projetos Especiais e Portfólio do Porta dos Fundos; Allan Lico, vice-presidente de Conteúdo e Criação da Endemol Shine Brasil; Marcello Coltro, da NBCUniversal Networks & DTC; Eduardo Brandini, head de Parcerias e Responsabilidade do YouTube; Maurício Alvarenga, CEO da Ultra Sports/Stenna; Claudine Bayma, diretora-geral do Kwai Brasil; e Patricia Koslinski, gerente sênior de Curadoria de Conteúdo Não Ficção da Globo.
O painel discutiu o papel dos conteúdos lineares em um ambiente cada vez mais dominado por ofertas sob demanda, as estratégias de diferenciação das plataformas, a complementaridade entre streaming e televisão tradicional, o impacto dos vídeos verticais e a adaptação das empresas aos novos hábitos de consumo do público. Os participantes também abordaram os modelos de distribuição considerados relevantes para diferentes perfis de audiência e formatos de conteúdo.



