
Começo em São Paulo a 35 edição do Congresso SET EXPO com grande afluência de público. Este martes (19-8) será o pontapé de partida da feira e exposição com destaque para o lançamento das estações experimentais de TV 3.0 no canal 7 e canal 8 de São Paulo que poderão ser vistos em televisão em diferentes estandes do Distrito Anhembi.
Entre os destaques do Congresso SET EXPO no seu primeiro dia a palestra «Internacionalização padrão, do Alasca à Patagônia», que teve como moderador a Sergio Eduardo Di Santoro Bruzetti, Coordenador do GT TV 3.0 da SET e Assessor de Planejamento de Engenharia – RecordTV; e como palestrantes a Madeleine Noland, Presidente da ATSC (The Broadcast Standards Association); Raymundo Barros, Presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD)/Globo e a ausência por doença de Eduardo Jorge De Nucci, Presidente de Viditec que representaria a Caper da Argentina.
Segundo os palestrantes, mesmo em diferentes estágios nos países, a internacionalização do padrão poderia beneficiar polos produtores e auxiliar em emergências, por além de compartilhar tecnologia, os países poderiam ter benefícios econômicos e regulatórios com a padronização da nova geração da televisão.

“Polos produtores como a Amazônia, compartilhando a mesma cadeia de suprimentos, geraria redução de custos para fabricantes e telespectadores. Outra vantagem é em segurança e emergências, com envios de alertas em todas as Américas, simultaneamente, para situações urgentes”, afirmou Raymundo Barros, presidente do SBTVD.
O mercado da TV aberta está em diferentes momentos em cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, 8% das casas têm apenas TV aberta, enquanto no Brasil, quase 60% estão na mesma situação. “Alguns países começaram a transição depois ou estão em estágios diferentes, mas faz parte do processo natural quando envolve muitos países”, assinalou.
Madeleine Noland, presidente da The Broadcast Standards Association, apresentou cases de diversos países que já iniciaram a transição para a nova geração da TV, tais como Coreia do Sul, Jamaica, Trinidad e Tobago, e Estados Unidos. “Ao contrário dos outros países, um dos principais uso da TV 3.0 nos Estados Unidos, é para data casting [inserção de informações extras no fluxo de dados da transmissão], que é a principal fonte de receita com propagandas, substituindo a receita que vem sendo perdida com a TV por assinatura”, explicou Noland.

Os painelistas destacaram que a internacionalização depende principalmente de cooperação técnica e política internacional, com acordos de livre comércio, opções de financiamento com taxas diferenciadas para construção da rede, flexibilidade e incentivos governamentais, além da unificação nas comunicações e representações de todos os países envolvidos nas discussões.
Na trilha de TV 3.0, outro painel importante foi “TV orientada a aplicativos – novo paradigma, nova experiência”, onde os palestrantes afirmaram que a TV 3.0 vai revolucionar experiência do usuário com personalização e conteúdo sob demanda Internet enriquece experiência, mas não será obrigatória para que o espectador tenha acesso à programação da DTV+.

“Será uma nova maneira de consumir televisão, temos que educar o telespectador. Não podemos criar uma ruptura brusca no início, essa experiência terá que ir se revelando à medida que as pessoas vão se acostumando com esse novo jeito de assistir à televisão, oferecendo interfaces sutis para interferir pouco no conteúdo principal”, avaliou Leandro Gejfinbein, diretor de UX da TV Globo.
Segundo ele, as emissoras precisarão investir na interface gráfica, com experiência de catálogo em que o usuário consegue visualizar todos os canais e escolher o que assistir, similar ao menu disponibilizado pelos streamings atualmente. Além disso, caso o espectador opte por logar, será possível oferecer uma experiência personalizada.
Daniela Guerson André, diretora da TV Câmara, destacou que a TV 3.0 será uma oportunidade inédita de conhecer e interagir com o público. “Teremos pela primeira vez na TV pública a possibilidade de conhecer o nosso público não apenas em caráter publicitário, mas saber de maneira mais abrangente sobre suas preferências e hábitos de consumo. Uma das nossas premissas é a interação com o usuário, que já fazemos hoje nas redes sociais, mas poderemos levar para a TV também.”

Finalmente, Marcelo Amaral, gerente sênior de soluções digitais da Mirakulo, disse que “a internet enriquece a experiência porque a emissora pode fornecer URLs para conteúdos extra ou sob demanda, mas não impede que o espectador siga consumindo o conteúdo principal. O usuário também não precisará estar logado, mas, se ele criar um perfil, será possível criar experiências personalizadas e direcionar conteúdos, como campanhas governamentais destinadas a um público ou local específico”, assinalou Marcelo Amaral, gerente sênior de soluções digitais da Mirakulo.
IA na mídia
Outro do destaques do primeito dia foi a Inteligência Artificial e o um painel onde a Reuters, Google e CUEZ mostram como a IA já transforma a produção de mídia, nele especialistas apresentaram soluções práticas que combinam inovação tecnológica com responsabilidade editorial
Assim, o painel “IA na Produção: Automação, Verificação, Arquivamento e Gestão de Assets”, apresentou soluções concretas que demonstram como a tecnologia vem acelerando processos, otimizando fluxos e abrindo novas possibilidades de monetização no setor.

Brad Haynes, da Reuters, foi categórico ao afirmar que, para a agência, a inteligência artificial é uma aliada do jornalismo, nunca uma substituta. Com 175 anos de história, a Reuters mantém seus compromissos com a independência editorial, a imparcialidade e a transparência mesmo ao adotar ferramentas de ponta. Toda produção com IA passa por supervisão humana, e os profissionais da redação testam as tecnologias em um laboratório próprio. A empresa investe anualmente cerca de US$ 200 milhões em inovação, apostando em sistemas como GPT, Claude e LLaMA para ampliar a produtividade sem comprometer a credibilidade.
Pela sua parte, Rodrigo Pereira da Silva, do Google Cloud, apresentou a plataforma Vertex AI Visual House, que utiliza inteligência artificial para organizar grandes volumes de conteúdo audiovisual. O sistema foi desenvolvido após uma provocação feita por um executivo da Fox Sports: era mais fácil encontrar vídeos no YouTube do que nos próprios arquivos internos. A solução permite buscas contextuais e precisas a partir de “embeds”, vetores que traduzem imagens e vídeos em dados analisáveis, oferecendo uma camada adicional de inteligência sem substituir os sistemas já existentes. A proposta é otimizar o uso dos acervos, gerar valor comercial e ampliar o alcance do conteúdo em áreas como publicidade, redes sociais e marketing.

Finalmente, Aaron Nuytemans, da CUEZ, destacou a necessidade de automatizar redações que operam em múltiplas plataformas ao mesmo tempo. Ele apresentou um sistema de arquitetura aberta que conecta diferentes ferramentas e cria fluxos personalizados para acelerar a produção. O destaque ficou por conta de um “agente orquestrador” desenvolvido com o Google, capaz de coordenar diversas etapas editoriais com comandos simples em linguagem natural. O sistema transforma uma notícia básica em um pacote multimídia completo, com roteiro, imagens, vídeos e gráficos, tornando o processo mais ágil e escalável.

