
A cerimônia de abertura do SET EXPO 2026, maior evento de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento da América Latina, reuniu nesta terça-feira (18), no Distrito Anhembi, em São Paulo, autoridades do governo federal, do Congresso Nacional e de órgãos reguladores em torno de uma mesma mensagem: a televisão brasileira já vive um novo capítulo de sua história.
Paulo Henrique Castro, presidente da SET, abriu a cerimônia destacando os avanços da TV 3.0. “Durante muitos anos, discutimos como seria a próxima geração da televisão brasileira, mas hoje a conversa mudou. Nós não imaginamos mais como será a TV 3.0, nós já estamos construindo esse futuro de forma concreta”, afirmou. Para ele, o novo padrão preserva características essenciais da radiodifusão aberta ao mesmo tempo em que incorpora interatividade e convergência. “A TV 3.0 preserva a sua universalidade, sua gratuidade, sua credibilidade e a sua capacidade de conectar milhões de brasileiros”, destacou. Castro também relacionou o tema à soberania nacional. “Soberania cultural, soberania digital e soberania de informação são pilares essenciais da nossa democracia”, disse.

Na cerimônia, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, falou da chegada da TV 3.0 como um compromisso cumprido, da assinatura do decreto que instituiu o padrão aos testes realizados na Copa do Mundo, e anunciou o início da etapa de escala nacional. Mais do que uma atualização técnica, disse, o governo enxerga a mudança como política pública de desenvolvimento, inclusão e cidadania. “A televisão deixa de ser apenas uma tela para assistir conteúdo e passa a ser também uma porta de entrada para serviços públicos governamentais”, afirmou, destacando o alcance dessa transformação. “O que discutimos aqui não é apenas o futuro da televisão, estamos discutindo o futuro da comunicação no Brasil”.

Um dos principais painéis do primeiro dia do Congresso SET EXPO foi “A Revolução da Televisão Aberta no Brasil: O Valor da Televisão em um Mundo Conectado”, moderado por Paulo Henrique Castro. O primeiro a falar foi o secretário de Serviços de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, que apresentou os resultados da política pública voltada à implantação da TV 3.0. O secretário anunciou uma linha de crédito subsidiada de cerca de R$ 2,7 bilhões para apoiar a implantação do novo sistema, com expectativa de operação no início de 2027. Wellisch também apontou a integração entre televisão linear, serviços sob demanda e mobilidade como uma das próximas etapas do processo. “Casar a TV linear com operações sob demanda, casar a TV tradicional com a TV móvel, para a gente estar em várias plataformas com conectividade”, afirmou.

A internacionalização do padrão brasileiro também teve espaço de destaque no evento. O Fórum SBTVD, a ATSC (Advanced Television Systems Committee) e a TTA (Telecommunications Technology Association), da Coreia do Sul, formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) para cooperação técnica internacional em radiodifusão digital. O acordo foi discutido no painel “Internacionalização da próxima geração de TV Digital: Fórum SBTVD, ATSC e TTA unem forças”, moderado por Gunnar Bedicks, CTO da Seja Digital. Ana Eliza Faria e Silva, gerente sênior de Regulatório de Tecnologia da Globo, destacou o impacto da colaboração internacional para o desenvolvimento do ecossistema brasileiro. “Qualquer outro país que pense na adoção do sistema não precisa percorrer uma jornada desse tamanho, ele pode se acelerar a partir dessa experiência do Brasil”, afirmou.

Representando a ATSC, sua presidente, Madeleine Noland, ressaltou o potencial estratégico da televisão aberta. “Essa infraestrutura pode transmitir dados para o país inteiro, e as pessoas não sabem o quão precioso isso é”, afirmou. Ao comentar a evolução tecnológica brasileira, declarou: “Vocês têm o melhor sistema de televisão do mundo”. Já Daejung Kim, vice-presidente e chefe da Divisão de Normalização da TTA, destacou o alcance institucional do acordo firmado entre as entidades. “Pela primeira vez, os organismos de padronização da América do Norte, da América do Sul e da Ásia estão sob um mesmo marco de cooperação”, afirmou.
O Congresso SET EXPO também abordou a evolução do áudio para a nova geração da televisão digital. No painel “Áudio: Imersão, Personalização e Inteligência no Broadcast”, moderado por Carlos Belmiro dos Santos Ronconi, fundador da Linklab Pro, especialistas discutiram o uso de inteligência artificial, personalização e novas tecnologias de processamento sonoro aplicadas à TV 3.0. Participaram do debate Daniel Martins, gerente de Negócios da Dolby Laboratories para a América do Sul; Aldo Soares, sócio-diretor da ARS Comércio e Serviços em Tecnologia; e Luiz Kruszielski, especialista em Novas Tecnologias e IA da Globo. “Estamos falando das ferramentas que temos hoje para gerar conteúdo e colocá-lo na TV 3.0, além de algumas das principais tendências que estão surgindo nessa área”, afirmou Ronconi na abertura.

Daniel Martins destacou que a evolução tecnológica do áudio depende da integração entre produção, processamento e reprodução. “O que a gente enxerga na Dolby não é algo pontual, mas um ecossistema. Vai desde as ferramentas e melhores práticas até a forma como processamos esse conteúdo. As ferramentas precisam vir para facilitar a operação”, afirmou. Segundo os participantes, recursos de áudio imersivo, personalização e inteligência artificial estão entre os elementos que integram a experiência proposta pela TV 3.0.



