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Streaming já está em 43% dos lares brasileiros e acelera declínio da TV por assinatura


Segundo o IBGE, 32,7 milhões de domicílios acessam plataformas de vídeo sob demanda. A TV aberta continua majoritária, mas perde espaço, enquanto acesso à internet pela TV já supera o do computador.

O consumo de conteúdo audiovisual no Brasil segue uma transformação, e uma demonstração disso são os dados da  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD TIC) 2024, divulgada nesta quinta-feira (25/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de domicílios com acesso a serviços pagos de streaming chegou a 43,4%, atingindo 32,7 milhões de lares — um crescimento de 1,5 milhão em relação a 2023.

Enquanto isso, a TV por assinatura tradicional continua em retração: caiu para 24,3% dos lares com TV, o equivalente a 18,3 milhões de domicílios, representando um recuo de 0,9 ponto percentual em um ano. Em 2016, esse índice era de 32,4%, revelando uma perda acumulada de mais de 8 pontos percentuais na última década.

De acordo com os pesquisadores do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes e Leonardo Areas Quesada, o crescimento do streaming está ligado não apenas ao avanço tecnológico, mas a mudanças de comportamento. “A pesquisa mostra que 58,4% das pessoas que não tinham TV por assinatura afirmavam não ter interesse pelo serviço. Possivelmente, um dos motivos pode ser o streaming e o acesso a vídeos e a filmes por outros meios, como o YouTube”, explicam.

Entre os que cancelaram o serviço, 31% apontam o alto custo como principal motivo. A análise por renda corrobora essa tendência: os lares com serviços de streaming possuem renda média per capita de R$ 2.950 (USD 530), enquanto os que não assinam ficam em R$ 1.390 (USD 250). Já quem combina streaming e TV por assinatura tem média superior: R$ 3.903 (USD 710)  por pessoa.

Avanço regional com TV aberta dominando, mas em retração

O avanço do streaming varia conforme a região. No Sul, 50,3% dos lares já utilizam serviços de vídeo sob demanda, seguidos de perto pelo Centro-Oeste (49,2%) e pelo Sudeste (48,6%). No Norte, a taxa é de 38,8%, e no Nordeste, onde o serviço ainda cresce lentamente, o percentual está em 30,1%. A desigualdade reflete disparidades socioeconômicas, mas também diferenças na infraestrutura de conectividade.

Mesmo com a digitalização em curso, a TV aberta continua presente em 86,5% dos domicílios com TV, alcançando 65,1 milhões de lares. No entanto, essa proporção caiu 1,5 ponto percentual em relação a 2023, e segue perdendo espaço entre os mais jovens e nas áreas urbanas.

Entre os domicílios com streaming, 86,9% também recebem sinal de TV aberta — percentual levemente inferior aos 89,7% registrados no ano anterior. Já os lares sem qualquer tipo de sinal — nem aberto, nem por assinatura — passaram de 5,2% em 2023 para 6,7% em 2024. Esse “vazio de sinal” é mais acentuado no Centro-Oeste (8,6%) e afeta 11,8% das residências rurais da região.

Acesso à internet pela TV supera uso do computador

Outro destaque do levantamento é o crescimento da TV como dispositivo de acesso à internet. Pela primeira vez, mais da metade dos usuários brasileiros utilizam o aparelho para navegar. Segundo o IBGE, 53,5% dos internautas acessam conteúdos pela televisão, contra 33,4% pelo computador, que segue em queda desde 2016, quando atingia 63,2%.

“O uso da televisão como plataforma de acesso à internet revela o enorme potencial da TV 3.0, que vai unir definitivamente a radiodifusão ao universo da internet e trazer infinitas possibilidades de novos serviços e aplicações para o telespectador da TV aberta e gratuita no país”, afirma Tawfic Awwad Junior, diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização da Secretaria de Radiodifusão do Ministério das Comunicações.

Além do celular — presente em 98,8% dos acessos à internet — e da TV, os tablets aparecem em 10,6% dos lares, mostrando estabilidade após anos de queda.

Outros destaques da pesquisa

  • O número de televisores de tela fina subiu de 68,5 milhões em 2023 para 71,3 milhões em 2024.
  • Os televisores de tubo continuam em declínio: restam apenas 5 milhões de unidades, contra 6,8 milhões no ano anterior.
  • Pela primeira vez, há mais lares sem rádio (41,2 milhões) do que com rádio (38,8 milhões). O rádio ainda é mais presente no meio rural (51,8%) do que nas áreas urbanas (48,1%).

A pesquisa, realizada no quarto trimestre de 2024, analisou mais de 211 mil domicílios, com dados representativos em âmbito nacional, regional e por áreas urbana e rural.

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