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Tom Jones Moreira da YouCast: TV 3.0 deixa de competir com OTTs e passa a ser infraestrutura estratégica

Tom Jones Moreira da YouCast

As tecnologias debatidas na NAB 2026 apontam como a DTV+ pode reduzir custos, escalar grandes eventos e impulsionar novos modelos de monetização no Brasil e na América Latina, afirma Tom Jones Moreira, Business Development Manager (BDM) da Youcast.

Para o executivo, «a TV 3.0 inaugura uma mudança estrutural no papel da televisão aberta. Em vez de competir com as plataformas OTT, o novo padrão reposiciona o broadcast como uma infraestrutura complementar, capaz de resolver desafios históricos do streaming, como escala, custo de distribuição e integração de dados”.

Segundo ele, a base dessa convergência está na adoção de tecnologias já maduras no ecossistema híbrido, como MPEG‑DASH, padrões derivados do HbbTV e sistemas de sinalização e orquestração de conteúdo e anúncios, como SCTE‑224, SCTE‑35 e o EABN (Early Ad Break Notification). “A grande virada da TV 3.0 é deixar de ser concorrente das OTTs e passar a ser infraestrutura complementar. Todas essas tecnologias estão sendo demonstradas na NAB, inclusive no pavilhão brasileiro”, afirma.

Um dos pontos mais sensíveis para o mercado atual é a transmissão de grandes eventos ao vivo. O alto custo de CDN se tornou um limitador para o crescimento das OTTs, e, nesse cenário, a TV 3.0 surge como possível equalizadora. Tom Jones destaca o datacasting como principal caminho de integração, permitindo que emissoras usem parte da capacidade de suas torres como CDNs virtuais, entregando dados diretamente aos usuários em eventos de grande audiência, como Copa do Mundo ou Super Bowl.

Essa estratégia pode ser reforçada por multicast ABR e soluções de edge computing, capazes de reduzir drasticamente o tráfego unicast. Já tecnologias voltadas à mobilidade, como 5G Broadcast e Direct to Mobile (D2M), ainda exigem mais testes e amadurecimento de mercado. “O futuro é um modelo realmente híbrido: broadcast, OTT e edge computing trabalhando juntos”, resume.

Com ambientes cada vez mais integrados, o desafio deixa de ser apenas entregar vídeo e passa a ser a unificação da experiência do usuário. Para isso, Tom Jones aponta padrões como EBUCore, CTA WAVE, além de APIs e arquiteturas de microserviços, como elementos centrais para garantir interoperabilidade entre TV linear, VOD e aplicativos. Esses componentes viabilizam desde a padronização de metadados até experiências interativas e fluxos dinâmicos de canais FAST e do chamado “novo linear”, conceito que também sustenta a TV 3.0 brasileira.

No campo da monetização, o especialista é direto: a tecnologia por si só não resolve. “Só quem entender dados e a jornada do consumidor vai se tornar relevante”, afirma. A publicidade endereçável, segundo ele, vai além do DAI tradicional e passa por soluções de SSAI com IA, inserção dinâmica em baixa latência e métricas unificadas cross‑media. Um dos destaques observados na NAB foi o conceito de “Quality Fingerprint”, que combina métricas de qualidade perceptual com inteligência artificial para gerar relatórios consistentes entre broadcast e OTT.

Os modelos híbridos de negócio também ganham força. Estratégias chamadas de “tribrid”, combinando FAST, AVOD e SVOD, vêm sendo usadas por estúdios e plataformas para equilibrar descoberta gratuita, escala publicitária e retenção paga. Com playouts em nuvem, esses canais de nicho conseguem operar 24/7 e escalar receitas de forma contínua.

OTT e opções FAST
No universo FAST, o  BDM da Youcast destaca o SCTE‑301 como padrão essencial para a criação de canais lineares dinâmicos, compatíveis com DTV+, ISDB‑T e OTT, preservando a lógica do linear tradicional, mas com flexibilidade digital para publicidade personalizada e montagem dinâmica de conteúdo. No Brasil, onde o FAST já cresce rapidamente, a TV 3.0 tende a acelerar esse movimento; na América Latina, muitos países ainda precisam reorganizar seus modelos de difusão para acompanhar essa transformação.

Quando o tema é custo de entrega, as soluções vistas na NAB 2026 mostram impactos concretos. Tecnologias como multicast ABR, broadcast‑assisted streaming e edge delivery podem reduzir entre 50% e 90% o consumo de banda unicast. Exemplos apresentados por empresas como ENENSYS e Broadpeak demonstram como um único fluxo multicast pode atender milhares de usuários, com reconversão local, enquanto o ATSC 3.0 B2X transforma o espectro de TV em um ativo estratégico de distribuição IP.

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