Painéis realizados no Congresso SET EXPO 2026 discutiram a maturidade técnica do padrão DTV+, os desafios de recepção do sinal, a operação durante a Copa do Mundo de 2026 e a incorporação da inteligência artificial aos fluxos de produção de conteúdo.

A evolução da TV 3.0 exige mudanças não apenas nos sistemas de transmissão, mas também na infraestrutura de recepção instalada nas residências. O tema foi debatido no painel “Desvendando a camada física DTV 3.0”, realizado nesta quarta-feira (19), durante o Congresso SET EXPO 2026, em São Paulo. Moderado por Francisco Peres, especialista regulatório da Globo, o encontro reuniu José Roberto Elias, consultor comercial da EFTX; Cristiano Akamine, conselheiro deliberativo da SET e professor do Laboratório de TV Digital da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie; e Jay Martin, vice-presidente de Vendas da Dielectric.
A maturidade alcançada pelo padrão DTV+ também foi tema do painel “Da Teoria à Prática: A Estreia da TV 3.0 nas Estações Experimentais e na Copa do Mundo 2026”. Os participantes apresentaram resultados das estações experimentais e da operação comercial realizada durante o Mundial, destacando a validação da camada física, dos sistemas de recepção interna e da arquitetura da nova plataforma. O moderador Marcos de Araújo, coordenador de Projetos Técnicos da TV Cultura de São Paulo, ressaltou o alcance da transformação. “Esse novo padrão será o mais impactante, o mais disruptivo e o mais desafiador para o setor de radiodifusão”, afirmou.

Durante o painel, Gunnar Bedicks, CTO da Seja Digital, apresentou um balanço da implantação das estações experimentais iniciada em novembro de 2024. Segundo ele, o desenvolvimento exigiu a criação praticamente do zero de transmissores, receptores e elementos centrais da plataforma. “O nosso objetivo não é a implantação da transmissão, é acelerar o desenvolvimento, trazendo empresas, entidades e parceiros para o ecossistema”, explicou. Bedicks destacou ainda o modelo orientado a aplicativos da TV 3.0, que permite ao televisor exibir os canais disponíveis assim que é ligado. “Nós estamos no início de uma era”, afirmou. “A camada física e os primeiros dispositivos apenas começam a chegar ao mercado.”
Os desafios tecnológicos da Copa do Mundo de 2026 foram discutidos no painel “Copa 2026: Engenharia, IA & Experiência ao Vivo”, mediado por Salustiano Fagundes, conselheiro deliberativo e coordenador do GT de OTT Video Streaming da SET. Marcos Petry, head de Plataformas de Vídeo e CDN da Globo, apresentou os resultados da operação de streaming em baixa latência utilizada durante o torneio. Segundo ele, a tecnologia alcançou 76% da audiência digital durante as partidas. “A baixa latência é especialmente importante em eventos esportivos para evitar aquela experiência do vizinho comemorar o gol antes de você”, afirmou. O executivo destacou ainda a complexidade da migração simultânea de milhares de usuários do sinal tradicional para o sinal de baixa latência sem impacto perceptível na experiência de consumo.
No mesmo painel, Sundeep Jinsi, responsável por Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Media Distillery, apresentou aplicações de inteligência artificial desenvolvidas em parceria com a operadora argentina Personal durante a Copa do Mundo. A iniciativa utilizou IA para produzir conteúdos complementares às transmissões, incluindo resumos automáticos das partidas e entrevistas pós-jogo destinadas aos espectadores das plataformas digitais.

A adoção da inteligência artificial pelas empresas também foi abordada na palestra “Além do Prompt – Personalizando Ferramentas de IA para Produção de Conteúdo”, ministrada por Márcio Carneiro dos Santos, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET. Segundo o especialista, a evolução do uso da IA passa pela criação de soluções adaptadas às necessidades específicas dos profissionais e organizações. Santos destacou que modelos como ChatGPT, Gemini e Claude oferecem funcionalidades que vão além da geração de texto, incluindo pesquisa, análise de informações, desenvolvimento de aplicações e suporte à produção audiovisual.
De acordo com Márcio Carneiro dos Santos, o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial requer a identificação clara dos problemas a serem resolvidos e a definição do contexto de uso. O especialista explicou que, no ambiente de produção de conteúdo, essas ferramentas podem ser aplicadas na transformação de materiais extensos em múltiplos formatos e na conversão de relatórios tradicionais em interfaces mais interativas, ampliando o acesso às informações pelas equipes de trabalho. As discussões realizadas no Congresso SET EXPO 2026 evidenciaram que a evolução da TV 3.0 combina avanços na transmissão e recepção de sinais com novas aplicações de software, dados e inteligência artificial em toda a cadeia de produção e distribuição de conteúdo.




