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+TV Fórum 2026 debateu convergência, conectividade e novos modelos de distribuição de conteúdo

9ª edição do +TV Fórum, que se realiza nos dias 12 e 13 de agosto, no WTC Events Center, em São Paulo

No primeiro dia da 9ª edição do +TV Fórum, que se realiza nos dias 12 e 13 de agosto, no WTC Events Center, em São Paulo, executivos de operadoras, programadores, canais, plataformas de streaming, fornecedores de tecnologia e reguladores se reuniram para discutir as transformações no mercado de distribuição de conteúdos audiovisuais. O primeiro dia do evento concentrou os debates nos impactos da convergência entre TV por assinatura, streaming e plataformas OTT sobre os modelos de negócio do setor.

A programação do primeiro dia foi aberta com uma entrevista com Fernando Ramos, diretor executivo de parcerias estratégicas de distribuição da Globo, que afirmou que o principal desafio do Grupo é manter sua presença em todas as plataformas e ambientes de consumo de mídia. Segundo o executivo, “estar presente em todos os lugares é uma premissa que ainda é válida. Falamos da ubiquidade, um princípio fundamental da indústria de mídia no mundo. A presença garante relevância”.

Daniel Monteiro, da Globo

Ramos também destacou que o streaming possibilitou uma oferta mais segmentada de produtos e conteúdos, o que permite aos consumidores realizar escolhas mais precisas e personalizadas de acordo com seus interesses e hábitos de consumo. Segundo ele, esse movimento ampliou as opções disponíveis ao público e contribuiu para uma experiência mais alinhada às preferências individuais dos usuários.

Na sequência, Márcio Carvalho, CMO da Claro, informou que a companhia apresentará no IBC 2026, que será realizado em Amsterdã, os resultados da evolução do Claro TV+, plataforma desenvolvida com uma solução própria. Segundo o executivo, a iniciativa permitiu à empresa ter “mais controle da experiência e dos dados”, fator que, em suas palavras, posiciona a Claro como líder em nível mundial. Carvalho também afirmou que a estratégia da empresa está voltada para oferecer maior personalização dos serviços a partir da conectividade e destacou que a Claro conta com uma operação de grande escala, ressaltando o trabalho realizado junto aos parceiros de conteúdo para identificar oportunidades de crescimento. “O grande mérito da conversa com os parceiros de conteúdo foi saber o ponto de vista e achar o lugar onde dava para avançar”, afirmou. Segundo o executivo, os dois últimos anos foram positivos para a operação, o que levou a uma revisão da estratégia da empresa, com o objetivo de ampliar a relevância do negócio por meio de um portfólio diversificado e da geração de novas oportunidades comerciais.

Fernando Ramos, diretor executivo de parcerias estratégicas de distribuição da Globo, e Oscar Simões, presidente da ABTA

Por sua vez, Gustavo Fonseca, presidente da Sky, do Grupo Werthein, explicou que o grupo passou por mudanças significativas ao longo do último ano, com a criação da Zaas e sua entrada no mercado de provedores de internet (ISPs). O executivo destacou que, durante a Copa do Mundo, a companhia registrou crescimento relevante, impulsionado pela demanda de usuários que buscaram alternativas para evitar problemas de latência. “Vendemos muito TVRO no Brasil e, na América Latina, streaming, porque os consumidores queriam evitar problemas de latência e pirataria”, afirmou.

Fonseca também ressaltou a importância da TVRO no mercado brasileiro. Segundo ele, parte da recuperação da empresa está associada a essa tecnologia, com a adoção da marca Sky na nova antena parabólica digital na banda Ku. O executivo destacou ainda o avanço dos serviços pré-pagos, especialmente no interior do Brasil. “Em parte, a recuperação se deve a isso; colocamos nossa marca na nova antena parabólica e, atualmente, o crescimento dos serviços pré-pagos está impulsionando as vendas”, declarou.

Guilherme Ravache, Adriana Naves (Roku), Fernando Magalhães (Claro), Aline Jabbour (Samsung TV Plus Latam), Ranira Camelo (Globo), Samuel Posebom (Teletime)

O último painel da manhã do primeiro dia do +TV Fórum, denominado “Inovação nos modelos de TV: quando tudo muda, mas parece igual”, reuniu o analista de mídia Guilherme Ravache; Adriana Naves, da Roku; Fernando Magalhães, da Claro; Aline Jabbour, da Samsung TV Plus, e Ranira Camelo, da Globo, para discutir o avanço da TV conectada, dos canais FAST, dos modelos de agregação de serviços e das novas dinâmicas de distribuição e monetização de conteúdo. Nele, Ranira Camelo, gerente sênior de parcerias estratégicas da Globo, afirmou que a proeminência dos conteúdos será um elemento central para o futuro da TV 3.0, especialmente pela possibilidade de ampliar a interação com o público e a publicidade direcionada. A executiva informou que mais de 70% do consumo do Globoplay corresponde a canais lineares e que, em 2025, a plataforma registrou média diária de 2h30 de uso por usuário, à frente de YouTube e Netflix. Segundo ela, a Globo também ampliou os investimentos em canais lineares, incluindo o lançamento do canal GE Fast.

O primeiro painel da tarde do +TV Fórum debateu um tema relacionado à conectividade. “Da banda larga ao 5G: a TV na disputa da conectividade” teve a participação de Alessandro Andrade, da Claro; Sérgio Ribeiro, da Sky;, João Marcelo Silva, da Watch; José Carlos Rocha, da Vero; Bruno Diehl, da Nio, e Daniel Rocha, da Vivo. O debate abordou o papel estratégico dos serviços de vídeo nos pacotes de conectividade fixa e móvel, incluindo temas relacionados à retenção de assinantes, receitas e integração entre telecomunicações e entretenimento.

Gustavo Fonseca de Sky

O representante da Vivo afirmou que o mercado brasileiro mudou, “com parceiros novos, como por exemplo a entrada do Youtube na plataforma, com uma nova tendência de entrega de serviços de IA que o mercado está buscando. Hoje temos quase 5 milhões de clientes de banda larga com assinaturas de streaming atreladas ao serviço”. Por outro lado, Andrade, da Claro, disse que “hoje concorremos com o tempo. A TV hoje é conteúdo”, e esses conteúdos têm de contar com serviços que o cliente use nos tempos que deseje utilizar. “Nosso objetivo é a democratização da entrega do conteúdo para nossos clientes. Hoje temos 40 milhões de clientes pré-pagos. Estamos monetizando o conteúdo de outras maneiras com uma reinvenção da experiência, onde a agregação de produtos é essencial”. Finalmente, Sérgio Ribeiro disse que o maior problema é a pirataria, com um mercado de 5,3 bilhões de dólares em 2025.

As transformações tecnológicas da indústria estiveram no centro do painel “A TV em tempos de transformação tecnológica”, que contou com a participação de Fabio Alencar, da SES; Renato Svirsky, da Mileto; Daniel Monteiro, da Globo; e Vinicius Benjamin, da TIM. A discussão abordou os impactos da TV 3.0, da evolução das plataformas de TV por assinatura, da distribuição via satélite e das TVs conectadas sobre os modelos de negócio e as estratégias de monetização do setor.

Márcio Carvalho, CMO da Claro

Monteiro disse que a DTV+ já é um produto e que o lançamento comercial durante a Copa do Mundo foi fundamental para definir a usabilidade e a experiência do consumidor. “Hoje na TV 3.0 já acompanhamos métricas de engajamento, de interatividade”, e “agora estamos expandindo as interações para saber onde a interatividade engaja mais ou menos”. Por outro lado, a TVRO alcançou os 18 milhões de set-top-boxes instalados,  ou seja, quase 60 milhões de brasileiros (aproximadamente 25% das residências brasileiras), disse Alencar. Referindo-se à Banda Ku, explicou que o mercado de satélites tem trabalhado para ser sustentável, mantendo a frota com capacidade, buscando uma extensão da vida útil e “continuando a ser relevante” no ecossistema de mídia.

O encerramento da programação destacou o painel “Combate à pirataria como aliada no crescimento do mercado”, reunindo Jonas Antunes, da ABTA, Gesiléa Teles, da Anatel, e Eduardo Carneiro, da Ancine. A discussão examinou os resultados das ações de fiscalização e proteção de direitos autorais, os desafios para ampliar o combate à distribuição ilegal de conteúdo e as formas de cooperação entre empresas, plataformas digitais e órgãos reguladores para fortalecer o mercado audiovisual.

Painel: Inovação nos modelos de TV quando tudo muda, mas parece igual

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