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+TV Forum mostra um mercado de mídia revitalizado e em transformação

A 8ª edição do evento, que este ano mudou de nome, apresentou painéis e entrevistas alinhados às transformações da indústria, que vive um momento de forte convergência. Além da TV por assinatura, o mercado também discute o avanço das plataformas OTT e as inovações da TV aberta, como a DTV+ e a TVRO. Outro ponto de destaque foi o debate sobre a possibilidade de desregulamentação da TV paga no país, tema que desperta opiniões divergentes no setor.

Casa Cheia no +TV Forum

Durante um dia inteiro de debates, executivos analisaram o futuro da distribuição de conteúdos multiplataforma, os principais desafios tecnológicos e institucionais, e as perspectivas de um mercado que começa a vislumbrar crescimento, ao mesmo tempo em que se adapta aos novos hábitos de consumo audiovisual. A pirataria audiovisual apareceu como um dos temas centrais, sendo apontada por vários participantes como o maior concorrente das empresas de distribuição de conteúdo no Brasil.

Homenagem ao Grupo Globo

As atividades começaram com uma homenagem especial aos 100 anos do Grupo Globo e aos 60 anos da TV Globo. A “Sessão Especial 100 Anos da Globo” reuniu Tatiana Costa, diretora dos canais do grupo; Leonora Bardini, diretora da TV Globo; e Julia Rueff, diretora executiva do Globoplay, com mediação da jornalista da Globonews, Julia Duailibi.

Executivas da Globo na comemoração dos 100 do grupo. Foto MARCOS MESQUITA

Leonora Bardini destacou a relevância contínua da TV aberta: “É um caso de amor, porque somos TV aberta e falamos com muita gente ao mesmo tempo. Essa simultaneidade gera um fenômeno de massa, com 123 emissoras em todo o Brasil. Oferecemos uma conexão real e geramos pertencimento”. Ela ressaltou ainda que, em um cenário em transformação, “a Globo continua sendo aquilo que milhões vivem e o que milhões repercutem nas redes”. Sobre a DTV+ (TV 3.0), afirmou que a integração de broadcast com interatividade via broadband amplia as opções de distribuição e representa um passo importante na renovação tecnológica.

Julia Rueff falou sobre a estratégia atual do Globoplay, destacando que o modelo B2B2C — distribuição via parceiros — é fundamental este ano. “Nosso objetivo estratégico é ampliar o acesso e agregar valor aos pacotes oferecidos pelos parceiros”, explicou.

Por sua vez, Tatiana Costa reforçou que as estratégias de curadoria de conteúdo estão alinhadas aos desafios de negócio e aos objetivos específicos de cada produto — TV aberta, Globoplay e canais pagos —, que trabalham de forma integrada. Ela apontou dois grandes desafios no streaming, sendo o primeiro atrair cada vez mais pessoas para a plataforma. “Nossa curadoria precisa ter uma amplitude de público grande. Precisamos falar com toda a família”, afirmou, explicando que há conteúdos que atravessam todas as plataformas, reforçando a visão de “ecossistema” do Grupo Globo. Para Costa, esse intercâmbio amplia o alcance, potencializa as janelas de exibição e otimiza os investimentos em produção.

Visão da SKY

Gustavo Fonseca, presidente da SKY, afirmou que existem quatro elementos fundamentais para o mercado: “conteúdo, experiência agradável, acesso e preço”. Segundo ele, “o Brasil é grande e diverso, e estamos trabalhando nisso”.

Gustavo Fonseca, presidente da SKY

Fonseca explicou que a empresa está realizando uma migração controlada do modelo SeAC para o streaming com o SKY+, mantendo talvez metade dos clientes em cada sistema. Ressaltou que o principal concorrente da TV por assinatura no país é a pirataria: “A realidade do Brasil é que cada vez mais cresce a participação de agentes ilegais. A pirataria é muito sedutora, porque é barata demais”.

Pirataria e legislação

Em entrevista a Samuel Possebon, da Teletime, o conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, explicou que a Agência atua em diversas frentes no combate à pirataria, trabalhando com a Receita Federal, Ancine e Polícia Federal. Entre as ações, destacou o combate à venda de artigos não homologados em marketplaces, a fiscalização de produtos ilícitos e a cooperação para apoiar outras agências, como a Ancine. “Nosso laboratório mapeia a circulação de produtos”, disse.

Freire adiantou que o novo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), em fase final de discussão na Anatel, poderá incluir o debate sobre a desregulamentação das obrigações da TV por assinatura tradicional. “Há espaço para reflexão, já que o tema diz respeito à competição”, observou.

Equipe da RT presente com estande no +TV Forum

O painel “O ecossistema digital e o combate à pirataria”, moderado por Jonas Antunes (ABTA), contou com a participação de Gisleia Fonseca Teles (Anatel), Leandro Souza Mendes (Ancine), Carlos Chelfo (Ancine), Felipe Ferreira (Delegacia de Crimes Cibernéticos) e Maurício Almeida (Watch).

Segundo Antunes, houve uma mudança de patamar no combate à pirataria graças ao trabalho conjunto entre entes públicos e privados, com acordos de cooperação envolvendo ABTA, Anatel e Ministérios Públicos de todo o país. “Criamos uma grande rede de defesa dos direitos autorais no Brasil”, afirmou.

Leandro Souza Mendes informou que a Ancine trabalha em uma nova normativa de proteção aos direitos autorais. “Em 2024 aumentamos nossa atuação, este ano já fizemos a consulta pública e estamos consolidando os resultados para ter uma instrução normativa que determine os próximos passos da Agência”.

Carlos Chelfo destacou a prova de conceito (POC) em andamento na Ancine, que está dando mais capilaridade ao combate à pirataria. O projeto já identificou 13 aplicações ilegais, cujos IPs foram rastreados e bloqueados pela Anatel.

Gisleia Fonseca Teles alertou sobre os riscos dos TV Boxes infectados pela rede BadBox 2.0, que comprometem a segurança das redes domésticas, permitindo que criminosos acessem dispositivos e introduzam malwares. “O Brasil concentra mais de 37% dos equipamentos infectados no mundo. Em fevereiro tínhamos quase 400 mil dispositivos, hoje já são mais de 1,8 milhão”, revelou.

Modelos de empacotamento e distribuição

O primeiro painel da tarde discutiu “O futuro dos modelos de empacotamento e distribuição”, com Ricardo Falcão (Claro TV+), Ranira Camelo (Globo), Alejandro Contreras (Alares), Viviane Moura (Vivo) e José Carlos Rocha (Vero).

Alejandro Contreras, (Alares); Ranira Camelo, (Globo); Viviane Moura, (Vivo); Samuel Possebon, (Teletime); José Carlos Rocha, (Vero); e Ricardo Falcão, (Claro TV+)

Viviane Moura explicou que quase 100% dos clientes de TV da Vivo também têm banda larga fibra. Ela apresentou o case Vivo Total, uma oferta de “super bundle” que integra TV e internet e já alcança 3 milhões de clientes, representando crescimento de mais de 60% em relação a 2024. Somando os assinantes de banda larga e streaming, o número chega a 4 milhões.

Ricardo Falcão disse que o Claro TV+ evoluiu e ganhou escala. “Começamos a vender mais, viramos o jogo no último ano e, nos últimos dois meses, demos um salto positivo”, afirmou. Segundo ele, a receita estabilizou e voltou a crescer, ainda que lentamente. “O que atrai é a combinação do linear com o streaming por um preço que cabe no bolso”, observou, ressaltando o movimento de migração da base para o digital.

Ricardo Falcao e Mauricio Fernandes de Claro com Imtiyaz Khan da Al Jazeera

DTV+ e o futuro da TV aberta

O painel de encerramento, “A evolução da TV: do streaming à DTV+”, contou com Carlos Octavio (Globo), Aline Jabbour (Samsung TV Plus), Cláudio Borgo (Claro TV+), Luis Camargo (Google), Roberto Guenzburger (Mileto) e Yvan Cabral (Vivensis).

Carlos Octavio (Globo), Aline Jabbour (Samsung TV Plus), Cláudio Borgo (Claro TV+), Luis Camargo (Google), Roberto Guenzburger (Mileto) e Yvan Cabral (Vivensis)

Carlos Octavio disse que a DTV+ vai mudar a forma de produção: “Passaremos de ter um departamento de conteúdo para um departamento de experiência”. Cláudio Borgo destacou que a Claro já está tecnicamente preparada e que recursos como 4K e interatividade ajudarão a ampliar a oferta. Yvan Cabral afirmou que a Vivensis pretende colocar seus receptores à venda em 2026.

Roberto Guenzburger falou sobre a evolução da Oi TV, adquirida pela Mileto, e afirmou que o desafio é integrar broadcast e broadband. “Temos um ecossistema muito capaz de fazer essa implantação, como já ocorreu com a TVRO. O serviço via satélite vai evoluir com mais interatividade”, concluiu.

Diretoria da ABBOTs presente no +TV Forum com a sua presidente Yassue Inoki, Mauricio Almeida, Ricardo Minari e Ricardo Miranda

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