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Alexandre Freire, de Anatel: Faixa de 6 GHz é essencial para o Brasil

Alexandre Freire de Anatel

O Brasil vem se consolidando como um ator estratégico no debate internacional sobre o futuro da faixa de 6 GHz, considerada essencial para a expansão de tecnologias avançadas de conectividade. Essa posição foi destacada pelo conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Alexandre Freire, durante o First 6 GHz Dialogue: Policy, Technology and Deployment, realizado de forma híbrida, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Participando remotamente do evento, que reuniu reguladores, representantes da indústria e especialistas de diversos países, Freire integrou o painel “6 GHz Forward-Thinking Policies: Assignments on the Rise”. Na ocasião, apresentou a visão brasileira sobre o uso estratégico do espectro, ressaltando que a discussão sobre a faixa de 6 GHz ultrapassa aspectos técnicos e envolve decisões estruturantes para o desenvolvimento digital, a inovação e a inclusão social.

Segundo o conselheiro, o avanço do uso da faixa no Brasil é impulsionado principalmente por três fatores: o crescimento acelerado do tráfego de dados, a necessidade de blocos de espectro mais amplos para suportar aplicações como 5G avançado e futuras gerações móveis, e o alinhamento com as tendências internacionais de harmonização do espectro. Ele destacou ainda a atuação ativa do país em fóruns multilaterais, especialmente após a Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023 (WRC-23), que identificou parte da faixa de 6 GHz para serviços móveis internacionais (IMT), assegurando a convivência com outros serviços já existentes.

No plano nacional, Freire lembrou que a destinação da faixa foi incorporada ao Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências (PDFF), aprovado em 2024. Desde então, a Anatel vem conduzindo estudos técnicos e testes de convivência entre diferentes tecnologias, com o objetivo de garantir o uso eficiente e equilibrado do espectro.

Outro ponto central da apresentação foi o planejamento regulatório. De acordo com o conselheiro, a Agência trabalha com a perspectiva de licitar a faixa superior de 6 GHz por volta de 2028, respeitando o grau de maturidade do ecossistema tecnológico e as condições de mercado. “O espectro deve ser disponibilizado no momento certo — nem antes, nem depois. Nosso objetivo é garantir que, quando colocado à disposição, ele se traduza efetivamente em redes, serviços e benefícios para a sociedade”, afirmou.

Freire também destacou a importância da previsibilidade regulatória, por meio de consultas públicas e da definição antecipada de diretrizes, como forma de estimular investimentos e reduzir incertezas para o setor. Ao abordar os modelos de autorização, enfatizou princípios como uso eficiente do espectro, promoção da competição, segurança regulatória e equilíbrio entre inovação e a proteção dos serviços existentes.

Encerrando sua participação, o conselheiro reforçou que a prioridade brasileira é promover a conectividade significativa como base para a inclusão digital e social. Para ele, a faixa de 6 GHz deve ser vista como um vetor capaz de ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer serviços essenciais, como educação, saúde e serviços públicos digitais. “O desafio é transformar espectro em redes, redes em serviços e serviços em inclusão”, concluiu.

O painel contou ainda com a participação de Eric Fournier, diretor de Espectro e Assuntos Internacionais da ANFR (França), e Ms. Revathi, assessora do Departamento de Telecomunicações da Índia, com moderação de Luiz Felippe Zoghbi, da GSMA.

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