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Brasil lançou comercialmente a DTV+ na Copa do Mundo

Paulo Henrique Castro de SET apresentou no Blackmagic Week São Paulo o roadmap da Globo para TV 3.0

Desde junho de 2026, a TV 3.0, na sua plataforma DTV+, deixou de ser um desejo e começou a se transformar em realidade. A operação comercial teve início em 9 de junho, quando a TV Globo colocou em operação, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, suas primeiras transmissões utilizando a tecnologia DTV+, dentro do processo de implantação da TV 3.0 no Brasil.

Desde junho, o sinal está sendo transmitido na frequência de 277,142 MHz, em São Paulo, e, segundo fontes consultadas, representa “um marco para a televisão aberta”, oferecendo melhor qualidade de imagem em 4K, áudio imersivo e novas possibilidades de interatividade. Nesta fase inicial, o acesso requer um set-top box compatível, antena adequada e televisor com suporte a 4K HDR.

A infraestrutura implantada inclui dois transmissores VHF de alta potência (R&S THV9evo), responsáveis por alimentar uma antena Dielectric instalada no topo da estrutura da Globo. O sistema é composto por 96 painéis bipolares, permitindo transmissões com tecnologia MIMO (Multiple Input Multiple Output), com potencial para alcançar cerca de 80% da população da cidade de São Paulo.

“A nova era da televisão revela uma TV com mais camadas. As novas funcionalidades ampliam a experiência de assistir televisão, tornando-a mais interativa, personalizada e intuitiva, com qualidade superior de imagem e som, sem perder a simplicidade que sempre caracterizou a televisão aberta brasileira: uma experiência gratuita, acessível a todos os brasileiros e com programação de alta qualidade”, afirmou Raymundo Barros, diretor de Tecnologia da Globo.

“Estamos apresentando uma TV Globo que amplia as possibilidades de interação com os conteúdos e oferece uma nova forma de relacionamento com a televisão aberta, incorporando novas dimensões de interatividade e personalização. É uma maneira mais dinâmica de assistir TV, preservando sempre o poder de decisão do usuário, que escolhe se, como e quando deseja ampliar essa experiência”, explicou Leonora Bardini, diretora executiva da TV Globo.

Nesta etapa, os recursos avançados estão disponíveis no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, incluindo funcionalidades como replay instantâneo, áudio ambiente e múltiplos ângulos de câmera. A evolução do serviço prevê a ampliação da cobertura e da oferta de conteúdos, com expansão para outras cidades a partir de 2027.

Tecnologias disruptivas

A TV 3.0 incorpora uma arquitetura híbrida que combina transmissão terrestre (broadcast) e conectividade IP (broadband), permitindo a entrega simultânea de conteúdos audiovisuais, aplicações e serviços de dados. Entre os recursos previstos estão aplicativos interativos acessados diretamente pelo televisor ou set-top box, canal de retorno via internet para serviços governamentais e comerciais, transmissão de alertas de emergência e distribuição de conteúdos educacionais. A plataforma também contempla mecanismos de personalização de conteúdo e recursos avançados de acessibilidade, incluindo legendas configuráveis, audiodescrição e tradução automática para a língua de sinais.

No campo da qualidade audiovisual, a TV 3.0 suporta resoluções de Ultra Alta Definição (UHD) entre 4K e 8K, ampliando a capacidade de reprodução de detalhes e a fidelidade das imagens. O sistema incorpora tecnologias de Alto Alcance Dinâmico (HDR), como HDR10, HLG e Dolby Vision, que aumentam a faixa dinâmica de brilho e contraste, proporcionando maior precisão na reprodução de cores. O padrão também prevê suporte a High Frame Rate (HFR), com taxas superiores a 60 quadros por segundo, melhorando a fluidez de cenas com movimentos rápidos.

A segmentação geográfica, que ainda não está sendo utilizada, será viabilizada pelo uso do identificador TxID, tecnologia baseada em espectro espalhado integrada ao fluxo de transmissão. Esse mecanismo permite que o receptor identifique o transmissor responsável pelo sinal recebido e associe conteúdos específicos a determinadas áreas de cobertura, sem necessidade de conexão à internet. A funcionalidade possibilita a entrega regionalizada de programação, informações de interesse público, campanhas institucionais e mensagens de emergência direcionadas a localidades específicas.

A plataforma também amplia as capacidades de interatividade por meio da integração com conceitos de televisão híbrida, permitindo que conteúdos transmitidos por radiodifusão sejam complementados por recursos distribuídos via internet. Nesse ambiente, aplicações de realidade virtual, vídeos em 360 graus e objetos multimídia sincronizados podem ser acessados pelos receptores compatíveis. A arquitetura permite ainda a integração com dispositivos da Internet das Coisas (IoT), como sistemas de iluminação, difusores de aroma, ventiladores e outros equipamentos conectados, possibilitando a sincronização de efeitos físicos e sensoriais com o conteúdo audiovisual exibido.

Roadmap de implementação da Globo

Durante o Blackmagic Week São Paulo, realizado de 5 a 7 de agosto, no PIC, em São Paulo, o presidente da SET, Paulo Henrique Castro, apresentou um plano de quatro anos de implantação voluntária da rede Globo e de suas afiliadas. Castro afirmou que a ideia é que, até 2030, os 15 principais mercados audiovisuais do país tenham disponível a DTV+ de forma gratuita. A proposta é que, após o lançamento em 2026 no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, em 2027 a cobertura seja estendida nesses estados e passe a incluir Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Em 2028, seria a vez de Salvador, na Bahia, e Campinas, no interior de São Paulo, além do início da implantação em Recife, Pernambuco, finalizando em 2029 com a entrada de Curitiba, no Paraná, Manaus, no Amazonas, e Fortaleza, no Ceará. Nesse mesmo ano, começaria a transmissão em Belo Horizonte, Minas Gerais. Finalmente, em 2030, seria a vez de Florianópolis, em Santa Catarina; Belém, no Pará; Goiânia, em Goiás; e Vitória, no Espírito Santo.

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